Informativo
É POSSÍVEL DIVERGIR SEM VIOLÊNCIA POLÍTICA, DIZ MANUELA D’ÁVILA
Por
Priscila Lobregatte
A candidata do PCdoB à Prefeitura de Porto
Alegre, Manuela d’Ávila, concedeu entrevista nesta terça-feira (20)
ao site Gaúcha ZH na qual falou sobre suas propostas, sua visão da cidade e
sobre a construção de diálogo e convergência política num contexto de grande
divisão ideológica.
Questionada sobre a motivação de ser
prefeita, Manuela destacou: “Nunca me conformei com as desigualdades sociais,
com o fato de minha filha e eu termos acesso àquilo que é básico, mas que em
nosso país ainda é um privilégio. Para mim, ser prefeita é lutar, todos os dias
do mandato, para reduzir as desigualdades e permitir que as pessoas tenham
acesso àquilo que tive e que luto para que minha filha tenha”. A candidata
disse ainda acreditar que este “é o momento de eu tentar fazer com que tudo que
aprendi como vereadora, deputada federal e deputada estadual seja aproveitado
para tentar melhorar a vida das pessoas que vivem na cidade em que eu nasci,
onde decidi construir minha família e viver”.
Como primeiras medidas para dar conta do
enfrentamento dessas desigualdades, Manuela elencou ações como as negociações
próprias para a aquisição da vacina contra o coronavírus; a pactuação com a
rede municipal de ensino em busca da recuperação do ano letivo, considerando
que o ano de 2021 ainda deverá ter ensino híbrido; a elaboração de um programa
de trabalho e renda com foco no tema do microcrédito e a elaboração de um plano
emergencial de assistência social — que Manuela tem chamado de Fome Zero
Municipal. “Acho muito difícil que a gente aceite, com tanta naturalidade, a
volta de crianças na sinaleira e de mulheres e homens sem terem com o que se
alimentar”, argumentou.
No que diz respeito à construção de alianças
e apoios para garantir a governabilidade de um futuro governo, Manuela destacou
que “os apoios estão sempre relacionados à conjuntura política, ou seja, o que
uma determinada realidade apresenta de desafio. Tenho convicção de que é
possível construir um governo com esses apoios”.
Lembrando sua experiência como vereadora,
Manuela apontou que “a Câmara Municipal é um espaço aberto ao diálogo e sei
também que ela é tão mais aberta ao diálogo quanto mais legitimidade política
os projetos têm. Na minha visão de governo, a pactuação, a ideia de um comitê
de crise, a ideia da participação popular no orçamento participativo, na
retomada dos conselhos, também faz com que aquilo que a Prefeitura propõe seja
mais próximo daquilo que a cidade deseja e, portanto, mais próximo de ser
aprovado pelos parlamentares”. Para Manuela, “mesmo temas que poderiam gerar
atritos, quando são construídos, pactuados ouvindo a sociedade, na minha
interpretação acabam sendo facilitadores para o governo construir maioria
políticas”.
Outro componente apontado por Manuela são as
características do momento atual. “Temos de ter a real dimensão da crise que
atravessamos: uma crise econômica, sanitária, ambiental, de transformação do
mundo do trabalho”, portanto, diz, “é preciso ter um espaço de diálogo com a
sociedade e o Poder Legislativo para a gente construir esse caminho diferente
para a cidade, um caminho que consiga dar conta de desafios tão grandiosos.
Tenho certeza de que, com a participação social e o diálogo permanente com o
Legislativo e com a sociedade, temos como construir esses consensos e avançar”.
Quando abordada sobre a adesão de outras
forças políticas distintas do campo de esquerda, Manuela explicou: “Temos um
programa que é bastante nítido e que tem como foco o combate à desigualdade
social, a reconstrução de um ciclo de desenvolvimento na economia e a garantia
de que o nosso povo seja escutado para que tenhamos serviços públicos de maior
qualidade. Aqueles e aquelas que se somarem ao nosso programa — e para mim é
assim que se constrói a luta política, a partir de ideias — serão nossos
aliados”.
A candidata também ressaltou que existe “uma
espécie de divisor de águas” para a composição de alianças, que é “o
compromisso irremediável com a democracia, com a ideia de que o Brasil é um
país em que a diversidade de opiniões é importante. E digo isso do ponto de
vista de querer que essas pessoas que defendem a democracia sejam as que
caminhem comigo e também para manifestar o meu respeito e compromisso de
diálogo com aqueles que não compuserem o nosso governo.
Manuela destacou ainda que quer “dar o
exemplo à nossa cidade, ao nosso país, de que é possível divergir sem
transformar a divergência na violência política da qual eu sou alvo. Eu quero
mudar a forma como me tratam, com violência política, com desrespeito às ideias
que eu defendo, aspectos que não serão reproduzidos pela nossa administração”.
Fonte:
Portal Vermelho
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