Informativo
"MAIS MULHERES NA POLÍTICA", É O TEMA DO DEBATE QUE A CTB PROMOVE NO PRÓXIMO DIA 18
As
mulheres são hoje maioria no eleitorado brasileiro e as pesquisas indicam que
elas são dotadas de uma consciência política mais elevada e promissora que os
homens, ao menos em relação à grande batalha que se avizinha, pois entre as
mulhers é maior a rejeição ao fascista Jair Bolsonaro do que entre os homens.
De
acordo com informações divulgadas pelo TSE no início de maio, até o fim de
março deste abi as mulheres representavam 53% do eleitorado apto a votar; os
homens constituíam 47%.Todavia, a reperesentação política das mulheres no
Parlamento fica muito aquém disto. Na atual legislatura temos 12 senadoras (por
sinal, uma a menos que na anterior) o que corresponde a apenas 14,8% do total
das 81 cadeiras. Já na Câmara Federal não passam de 15%, sendo 77 deputadas num
total de 513 cargos.
Mais
mulheres na política é certamente uma questão de justiça e igualdade. Mais do
que isto, vai contribuir para conferir aos poderes legislativos, e também
executivos, uma face mais humana e democrática e uma preocupação maior com a
população explorada e oprimida. Por isto, em boa hora a CTB estará promovendo
no próximo dia 18 o debate sobre o tema, reunindo personalidades do mundo
político, sindical, acadêmico e artístico como Manuella d´Ávila, jornalista e
escritora, Josely Fernández Guarrido, mestre em Ciências Políticas do Consulado
Cubano, Claudete Alves, presidente do Sedin e da direção nacional da CTB, Isa
Penna, advogada e deputada estadual (PCdoB-SP).
O
evento vai ocorrer na sede nacional da CTB e contará com um show musical da
cantora e compositora Tinna Rios. Será transmitido através do portal CTB e do
canal classista no Youtube. Anote em sua agenda e não deixe de participar.
Abaixo republicamos a “Pauta das
Mulheres Trabalhadoras e os seus Direitos – Compromisso da Candidatura Lula”,
que recentemente foi entregue por uma comissão de mulheres das centrais a Lula.
A PAUTA DAS MULHERES TRABALHADORAS E
OS SEUS DIREITOS – COMPROMISSO DA CANDIDATURA LULA
O Fórum Nacional de Mulheres
Trabalhadoras das Centrais Sindicais- FNMT, considera que o atual momento
político nos impõe grandes desafios. Após o Golpe de 2016, avanços conquistados
nas últimas décadas, sofreram grandes retrocessos: econômico, político e
social, com efeitos danosos à sociedade em geral, mas em particular, as
mulheres da classe trabalhadora, segmento mais impactado com a desestruturação
do mercado de trabalho – desemprego, precariedade, fome e violência.
Tais mudanças alteraram
substantivamente as condições de vida das famílias, em especial das famílias mantidas
por mulheres negras. O alto índice de desemprego, o subemprego e trabalho sem
direitos, somam-se à ausência de políticas públicas de saúde, educação, moradia
e de combate à fome, tem levado milhares de famílias a viverem nas ruas. A luta
pela sobrevivência é central neste momento em que o país volta ao Mapa da Fome.
Neste momento, é prioridade que os
investimentos estejam voltados para a geração de trabalho, emprego e renda, bem
como em investimentos nas políticas públicas de inclusão e de segurança alimentar,
questões que devem estar no centro do debate. Neste sentido, o desenvolvimento
precisa estar sustentado na justiça social e não no equilíbrio fiscal. Nenhuma
política pública será devidamente eficaz se não tiver como foco a população
pobre e periférica – maioria negra, mulheres indígenas e mulheres Trans,
segmentos mais vulnerabilizados pela atuais políticas.
É fundamental que se tenha em mente a
necessidade urgente de políticas para a construção da igualdade de
oportunidades na vida e no trabalho. Para isso é determinante que todas as
políticas públicas estejam comprometidas com a quebra de barreiras,
possibilitando a entrada das mulheres nos diversos espaços de poder e de
decisão na sociedade.
Outro aspecto importante é a retomada
da democracia e da soberania. Para isso é necessário que se aprofunde e
radicalize a democracia, seja do ponto vista institucional (transparência),
seja fortalecendo a participação social nos espaços de decisões de Governo.
Resgatar a nossa soberania é tarefa urgente. Não existe democracia sem
soberania, nem tão pouco, soberania sem democracia.
Companheiro Lula, a retomada da
soberania e da democracia, passa, necessariamente pela derrota do
neoliberalismo/neofascismo e pela sua eleição. Por isso, nós, mulheres
dirigentes das Centrais que subscrevem este conjunto de propostas, reafirmamos
nosso compromisso com a sua candidatura, estaremos em todos os recantos do País
trabalhando para garantir a sua reeleição, pela vida das mulheres.
NENHUM DIREITO A MENOS EM TODO
TERRITÓRIO NACIONAL
1 – Revogar as medidas de austeridade
fiscal que congelam os investimentos em políticas sociais e de saúde e educação
– EC 95;
2 – Revogar a reforma da previdência
e retomar a política implementada anterior à reforma;
3 – Ampliar por legislação a licença
maternidade para 180 dias para os setores público e privado; garantir o acesso
a licença maternidade para trabalhadoras que se encontram no trabalho informal;
4 – Estabelecer a licença parental
para progenitores ou adotantes, de forma compartilhada, garantindo à mãe o
período necessário para a amamentação da criança, conforme orientação da
Organização Mundial da Saúde (OMS), e estender esse direito às demais
trabalhadoras e trabalhadores (domésticas, do campo, da floresta e das águas).
POR MAIS E MELHORES EMPREGOS
5 – Ratificar a Convenção 190 da OIT
que trata do assédio moral e sexual nos locais de trabalho e nos espaços
públicos e estabelecer políticas para a sua aplicação;
6 – Definir e implementar políticas
públicas de combate à discriminação de gênero, raça, deficiência, orientação
sexual – políticas afirmativas de combate a todas as formas de discriminação no
trabalho e na sociedade;
7 – Garantir políticas públicas de
inserção profissional para as mulheres jovens que garantam o trabalho decente;
8 – Promover junto ao congresso e à
sociedade, debate sobre legislação que reduza a jornada de trabalho, sem
redução de salário como política de geração de mais e melhores empregos;
9 – Revogar a reforma trabalhista –
lei 13.467 e a Lei da terceirização irrestrita;
10 – Ratificar a convenção 156 da OIT
que trata do compartilhamento das responsabilidades familiares entre homens,
mulheres e o Estado;
11 – Definir e implementar políticas
públicas que garantam a aplicação das convenções 100 e 111 da OIT – que promove
a igualdade de oportunidades e de tratamento e não discriminação no mundo
trabalho com regulação por meio de legislação sobre fiscalização e punição de
empresas quando for comprovada a discriminação de remuneração – trabalho igual,
salário igual;
12 – Promover Centros
Públicos/Espaços Multifuncionais em todo o território nacional, com subsídios e
investimento – equipamentos e materiais para a promoção da comercialização de
produtos da economia solidária. (3 esferas);
13 – Promover a agricultura familiar
coordenada por mulheres, por meio de financiamento dos bancos públicos para a
produção agroecológica, bem como a sua comercialização;
14 – Retomar as políticas de reforma
agrária nas terras públicas e em terras onde foram encontrados trabalho
escravo, voltada para as mulheres do campo (rural, floretas e águas) com
assistência técnica do estado e acompanhamento das entidades de
trabalhadores/as;
15 – Garantir cursos de formação
gratuitos, sobre as novas tecnologias voltado para as mulheres e instituir
política de requalificação e atualização profissional, para garantir acesso
igualitário entre mulheres e homens aos novos postos de trabalho promovidos
pelas novas tecnologias e acompanhar as mudanças no mundo do trabalho;
16 – Regulamentar a aplicação da
Convenção nº 189 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com a revisão
da lei complementar 150/2015, que regulamenta o trabalho doméstico.
FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
17 – Intensificar ações voltadas à
aplicação integral da Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio; Retomar a
criação e o fortalecimento das Casas da Mulher Brasileira – espaços de
acolhimento para mulheres vítimas de violência doméstica; retomar o pacto
nacional de enfrentamento a violência;
18 – Criar onde não houver, e
instrumentalizar as Delegacias da Mulher em todos os municípios com
funcionamento em tempo integral e capacitação dos servidores e servidoras para
o atendimento das vítimas;
19 – Definir legislação e políticas
públicas voltadas a inibir as práticas de discriminação por parte das empresas
contra a população LGBTQI+, acompanhada de Campanha Institucional contra o
genocídio da juventude e da população LGBTQI+.
EM DEFESA DO SUS E DA SAÚDE
20 – Fortalecer o Sistema Único de
Saúde, com integralidade e universalidade, ampliando a oferta de serviços e
garantindo o financiamento público; promover a política de saúde do trabalhador
e de segurança no trabalho;
21 – Retomar e fortalecer o Plano
Nacional Integral em atenção à saúde da mulher urbana, rural, da floresta e das
águas com garantia de políticas de planejamento familiar, acesso aos métodos
contraceptivos; garantia do parto humanizado; e políticas públicas voltadas a
garantir os direitos sexuais e reprodutivos.
PELA EDUCAÇÃO PÚBLICA, LAÍCA E DE
QUALIDADE REFERENCIADA
22 – Garantir investimento para
criação e ampliação da oferta de vagas em creches públicas para crianças de 0 a
4 anos de idade conforme prevê a constituição e escola integral;
23 – Garantir uma educação laica,
não-sexista, não homofóbica, não racista, que leve o conhecimento sobre
direitos fundamentais e sociais previstos em nossa Constituição;
24 – Garantir 10% dos royalties do
petróleo para a educação.
FORTALECER OS MECANISMOS E
INSTRUMENTOS DE TRANSPARÊNCIA SOCIAL – CIDADANIA
25 – Retomar e reestruturar o
Ministério da Mulher e da Igualdade Racial com recursos suficientes para prover
políticas públicas para as mulheres em âmbito nacional;
26 -Criar mecanismo de consulta
popular direta, como referendos, plebiscitos e fortalecer os mecanismos de
controle social e democracia participativa.
São Paulo, 10 de
março de 2022.
FÓRUM NACIONAL DE MULHERES
TRABALHADORAS DAS CENTRAIS SINDICAIS – FNMT
CSB - Antonieta Cassia Dorleto de Faria - Secretaria Nacional da Mulher
Trabalhadora
CTB - Celina Arêas - Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora
CUT - Junéia Batista - Secretária Nacional da Mulher Trabalhadora
Força Sindical - Maria Auxiliadora dos Santos – Secretaria Nacional de Políticas
paras Mulheres e de Gênero
NCST - Sonia Maria Zerino da Silva – Diretoria para Assuntos da Mulher e
da Juventude
UGT - Regina Pessoti Zagretti – Secretaria da Nacional da Mulher
Fonte: Portal CTB
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