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Marco Rubio e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução/redes sociais Marco Rubio e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução/redes sociais
07/07/2026

7 DE JULHO: O DIA DA TRAIÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO EM WASHINGTON

Em audiência nos EUA, filho do ex-presidente golpista visa interferência no Brasil para prejudicar o Pix e favorecer cartões em troca do adiamento de tarifas.

Por Davi Dmolir

Nesta terça-feira (7), às 11h no horário de Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupará o microfone em Washington para participar da audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Será o momento em que um pré-candidato à Presidência da República brasileira vai discursar em território estrangeiro, em nome próprio, em concordância com a taxação dos EUA contra produtos brasileiros, desde que aplicada depois das eleições. Em contrapartida, oferecerá a restrição do Pix — o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil — para favorecer empresas de cartões de crédito.

A data e o horário já entram para a história como o Dia da Traição.

Assim como o “Dia do Fico” de 9 de janeiro de 1822 marcou o momento em que Dom Pedro I decidiu ficar no Brasil contra as ordens de Portugal, o 7 de julho de 2026 marca o oposto: um filho de ex-presidente vai aos Estados Unidos para negociar com o governo Trump em plena campanha eleitoral brasileira, enviando um dossiê de 86 páginas e se apresentando como interlocutor alternativo ao Estado brasileiro e contra os interesses nacionais.

Diplomacia esvaziou a audiência

Oficialmente, a audiência de dois dias (6 e 7 de julho) está esvaziada pelo governo brasileiro. O Itamaraty decidiu não enviar representantes de alto nível para não dar legitimidade a um espaço que funciona como palanque eleitoral antecipado. 

A ausência não é omissão: é uma decisão política que marca o posicionamento da diplomacia brasileira, além de preservar os canais oficiais de negociação e não chancelar a interferência externa no processo eleitoral de 2026.

Sem nenhum orgulho nacional, Flávio Bolsonaro confirmou presença. Ele falará na terça-feira, 7 de julho, às 10h no horário de Washington (11h em Brasília), no Painel 8 do segundo dia da audiência. Terá cinco minutos para defender que as tarifas de 25% propostas pelo USTR sejam aplicadas apenas após as eleições e, principalmente, para apresentar sua “solução” para o Pix.

A proposta que expõe a traição

No documento de 86 páginas em papel timbrado do Senado da República, enviado ao governo americano, Flávio Bolsonaro se compromete com uma ação legislativa para impedir que o Pix — infraestrutura pública soberana brasileira — seja interconectado a “arranjos de liquidação transfronteiriça não ocidentais”.

A frase é o mais claro sinal de submissão: em troca de eventual alívio tarifário para interferir no processo eleitoral, o senador oferece aos Estados Unidos o compromisso de limitar a soberania do Pix e impedir sua integração com sistemas de países que não sejam “ocidentais” — leia-se, principalmente, China e parceiros do Sul Global.

Ao mesmo tempo em que diz “defender o Pix”, Flávio Bolsonaro propõe exatamente o que as grandes operadoras de cartões americanas querem: enfraquecer a capacidade de expansão e interoperabilidade do sistema brasileiro mais bem-sucedido dos últimos anos.

Interferência eleitoral assumida

O pedido de adiamento das tarifas por 180 dias — ou seja, até depois das eleições de outubro — deixa explícito o cálculo eleitoral. Ele não se importa com a imposição injusta das tarifas; o pré-candidato quer apenas que não sejam aplicadas agora porque elas poderiam ser usadas pelo governo Lula como prova de agressão externa e de ataque à soberania nacional. Ele prefere que a medida fique para depois do pleito, preservando sua própria candidatura.

Esta é mais uma interferência prática da família Bolsonaro nas eleições de 2026, feita diretamente em Washington, com documento enviado ao USTR e discurso marcado para o coração do poder americano.

O Dia da Traição, portanto, não é apenas uma fala de cinco minutos. É o símbolo de um momento em que um pré-candidato à Presidência brasileira escolhe se apresentar aos Estados Unidos para oferecer, como moeda de troca, limites à soberania de um dos maiores patrimônios tecnológicos e financeiros do país: o Pix.

Fonte: Portal Vermelho

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