Informativo
LULA APRESENTA BALANÇO DO GOVERNO E PROGRAMA PARA 2027-2030
Com 180 páginas, “Plano Participativo
pelo Brasil e pelos Brasileiros” resgata legado do terceiro governo Lula e
anuncia primeiras diretrizes para um novo mandato.
Por André Cintra
O
programa que poderá nortear um eventual quarto governo Lula começou a sair do
papel. Lançado na sexta-feira (29), em São Paulo, o “Plano Participativo pelo
Brasil e pelos Brasileiros” combina um documento-base de 180 páginas e uma plataforma
digital de escuta. A ideia é formular, com participação popular, as
diretrizes da campanha à reeleição do presidente para o período de 2027 a 2030.
A iniciativa prevê a coleta de propostas de movimentos sociais,
especialistas, entidades, sindicatos, universidades e organizações da sociedade
civil. Coordenado pelo ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli, o processo
receberá contribuições até 30 de junho. Relatórios consolidados deverão ser
apresentados em 15 de julho, servindo de base para a elaboração do programa
definitivo da chapa Lula-Geraldo Alckmin.
O documento foi concebido como um manifesto político da coalizão
que sustenta o governo Lula. Antes de apresentar diretrizes e centenas de
metas, o texto dedica dezenas de páginas a uma radiografia do que classifica
como “herança maldita de destruição” dos governos Michel Temer e Jair
Bolsonaro.
Uma
disputa entre dois Brasis
A premissa central é que a eleição de 2026 oporá dois projetos
históricos de País: de um lado, a continuidade da reconstrução do Estado
social, da industrialização e da soberania nacional; de outro, o retorno do
ciclo liberal-conservador associado ao bolsonarismo e ao período iniciado após
o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016.
Partindo dessa interpretação, o texto se organiza em três
movimentos: o diagnóstico do período 2016-2022, o balanço do governo Lula 3 e
as diretrizes para um novo ciclo político.
Da
“herança de destruição” à reconstrução
Segundo o documento, o País viveu anos de desmonte
institucional, perda de direitos sociais, enfraquecimento da participação
popular e redução da capacidade de planejamento estatal. Como exemplos, cita o
retorno do Brasil ao Mapa da Fome, cortes de até 96% no orçamento do Suas,
queda da cobertura vacinal infantil e aumento do desmatamento na Amazônia. O
governo Bolsonaro também é acusado de promover negacionismo durante a pandemia
e campanhas de desinformação por meio da comunicação oficial.
Em contraposição, o texto apresenta o governo Lula como um
período de recuperação econômica e institucional. Entre os resultados
destacados estão a saída de mais de 26 milhões de pessoas da fome, a geração de
mais de 5 milhões de empregos formais, a redução da desigualdade, a valorização
do salário mínimo, a contratação de 2 milhões de moradias pelo Minha Casa Minha
Vida e a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Também são citados
avanços em políticas para mulheres, igualdade racial e participação social.
A aposta
em um novo ciclo de desenvolvimento
O balanço econômico ocupa espaço central. O governo reivindica a
aprovação da reforma tributária, a substituição do teto de gastos pelo novo
arcabouço fiscal, a expansão dos investimentos do Novo PAC e a retomada da
política industrial por meio da Nova Indústria Brasil (NIB).
Segundo o documento, a estratégia de desenvolvimento combina
crescimento, justiça social e reindustrialização verde, com foco em transição
energética, inteligência artificial, semicondutores, biocombustíveis,
hidrogênio verde e infraestrutura sustentável.
A ideia de soberania nacional atravessa todo o texto. O plano
defende reduzir vulnerabilidades estratégicas em áreas como energia,
tecnologia, defesa e comunicação digital, além de ampliar a capacidade
industrial brasileira. Entre as propostas está a criação de uma política para
terras raras e minerais críticos, condicionando sua exploração à agregação de
valor e à industrialização no País.
Um
projeto para os anos 2030
O documento também procura atualizar o repertório histórico do
campo progressista para os desafios da próxima década. Inteligência artificial,
automação, plataformas digitais, transição climática e novas formas de trabalho
aparecem como temas recorrentes. A proposta é combinar inclusão social com
modernização tecnológica e aumento de produtividade.
As diretrizes estão organizadas em grandes eixos, como
fortalecimento da democracia participativa, ampliação dos serviços públicos,
combate às desigualdades, reforma urbana, neoindustrialização, transição
energética, proteção ao trabalho e protagonismo internacional do Brasil.
Entre as propostas concretas estão a implantação gradual da
jornada semanal de 40 horas, o fortalecimento da negociação coletiva, a ampliação
da tributação sobre altas rendas e patrimônios, a expansão do Minha Casa Minha
Vida, o aprofundamento da reforma tributária progressiva e uma política
industrial voltada para inteligência artificial, semicondutores e transição
energética.
O plano também prevê a retomada de mecanismos de participação
social enfraquecidos após 2016, como conselhos, conferências e fóruns públicos.
Outra meta é a criação de um espaço específico para jovens discutirem propostas
para o Brasil de 2036.
Num cenário marcado pela persistência da extrema direita nas
redes, no Congresso e em parcelas importantes do eleitorado, o campo
progressista se mexe. “Esse é um documento preliminar, sujeito a alterações.
Nossa missão é derrotar o sistema que há séculos reproduz injustiça, desigualdade
e corrupção”, afirma o texto de apresentação.
Ao abrir a elaboração do programa à participação popular, a
coalizão pró-Lula tenta transformar a campanha de 2026 em algo maior do que uma
disputa eleitoral. O documento sugere que a próxima eleição será apresentada
como um referendo sobre o ciclo iniciado em 2023: se deve ser aprofundado,
corrigido ou interrompido. Entre o balanço dos últimos quatro anos e a promessa
de um novo ciclo de desenvolvimento, é nesse terreno que a campanha
presidencial começa a ser desenhada.
Fonte:
Portal Vermelho
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