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Presidente Lula durante reunião de Segurança Energética no G7, no Canadá, em 2025. Foto: Ricardo Stuckert / PR Presidente Lula durante reunião de Segurança Energética no G7, no Canadá, em 2025. Foto: Ricardo Stuckert / PR
15/06/2026

LULA VAI À CÚPULA DO G7 NA FRANÇA E MIRA ACORDO COM O JAPÃO

Reunião com a primeira-ministra japonesa pode representar avanço para o Mercosul; negociações com outros países são oportunidades contra as tarifas de Trump.

Por Murilo da Silva

O presidente Lula participa nesta semana da Cúpula do G7, que acontece em Évian-les-Bains, na França, entre segunda-feira (15) e quarta-feira (17). O Brasil é um dos países convidados e deve aproveitar a agenda para se aproximar de parceiros estratégicos. Neste cenário, existe a possibilidade de estreitamento das relações entre o Mercosul e o Japão para assinatura de um acordo na esteira de oportunidades abertas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Também se especula um novo encontro entre Lula e Donald Trump, ainda que nada esteja oficialmente agendado. Até o momento, as negociações para impedir novas tarifas contra o país pelos norte-americanos são tratadas de forma técnica pela diplomacia e os ministérios envolvidos.

A nova rodada de protecionismo dos EUA contra o Brasil aconteceu após a articulação de Eduardo e Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump. A ação lesa-pátria da dupla gerou críticas de todos os segmentos nacionais, inclusive com o pré-candidato à presidência dos bolsonaristas recebendo a alcunha de Tariflávio.

G7

Os países-membros do G7 são Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil é convidado a participar, assim como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito, e instituições, entre elas Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, informou que a delegação brasileira deve fornecer insumos aos debates e acompanhar as negociações, ainda que não tenha papel decisório.

A agenda de Lula já tem encontros confirmados com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e o presidente da França, Emmanuel Macron. Ao longo dos seus três mandatos presidenciais, esta é a décima vez que Lula é convidado para o encontro.

O líder brasileiro deve participar e defender a pauta de combate à pobreza, crescimento econômico equilibrado, bem como inserir a perspectiva nacional sobre assuntos como terras raras e inteligência artificial.

Ainda há a possibilidade de que o veto à carne brasileira pela União Europeia seja contestado pessoalmente, caso ocorra agenda (ainda não prevista) com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A viagem do presidente para o G7 começa neste domingo (14) e conta com escala em Cabo Verde.

Mercosul-Japão

Visto como uma janela de oportunidades, o tarifaço de Trump leva o Brasil a procurar novos mercados para seus produtos. Isso representa maior dinamismo para os produtores nacionais, tendo em vista a necessidade de contornar as iniciativas bolsonaristas, que prejudicam as empresas do próprio país.

Como já demonstrado em 2025, o Brasil conseguiu superar as dificuldades impostas pela primeira onda de tarifas de Trump. Naquela oportunidade, a balança comercial brasileira chegou a alcançar recorde. Houve também ampliação das exportações para China, o principal parceiro comercial do país, driblando a lesiva imposição tarifária dos EUA.

Nesta segunda onda de ameaças contra o Brasil, novamente a diplomacia nacional entra em campo para obter novos mercados para a produção do país. Com isso, a reunião do G7 é oportuna, uma vez que Mercosul e Japão negociam um acordo de livre-comércio.

Ainda que próxima a Trump, a primeira-ministra japonesa Takaichi se mostrou aberta à negociação, algo impensável tempos atrás. O encontro dela com Lula é um sinal de que algum avanço pode acontecer nesse sentido.

O Mercosul também negocia com o Canadá, outro membro do G7, um acordo de livre-comércio que já se encontra em estágio avançado.

Em 30 de junho, em Assunção, Paraguai, acontece a Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul. É esperado que até lá sejam apresentadas as sinalizações sobre as tratativas nas duas frentes.

Fonte: Portal Vermelho

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