Informativo
GOVERNADORES CONTESTAM NO STF LIMITE NO ICMS PARA BARATEAR GASOLINA
Perdas bilionárias na educação e saúde não resultaram em
queda no preço dos combustíveis. Bolsonaro sancionou lei vetando compensações
para os estados, que bancam sozinhos o custo da inflação.
Por
Cezar Xavier
Os governadores de 11 estados (AL, BA, CE,
MA, PB, PE, PI, MS, RN, RS e SE) e do Distrito Federal decidiram acionar o
Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei, sancionada nessa terça-feira
(28) que limita a tarifa do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) incidente sobre alguns produtos essenciais. Nenhum dos estados
do Norte ou Sudeste figuram como parte na ADI.
A Lei Complementar 192/2022 estabeleceu os
combustíveis – incluindo diesel, gasolina e gás natural –, a energia elétrica,
as comunicações e os transportes coletivos como itens essenciais “para fins de
tributação”. Com isso, os estados e o Distrito Federal ficaram impedidos de
cobrar mais de 17% ou 18% de ICMS sobre esses bens e serviços. No entanto, o
presidente Jair Bolsonaro vetou as compensações aos estados previstas na lei.
Na peça inicial, eles argumentam que a
redução do ICMS como proposto pelo governo federal é “inexequível”, por se
tratar da principal fonte de arrecadação dos estados e do DF. Os governadores
pede uma liminar (decisão provisória) para suspender a lei, que dizem ser
inconstitucional. Entre outros pontos, eles argumentam que as unidades da
federação têm autonomia na fixação de alíquotas tributárias.
Os mandatários locais demonstraram também
preocupação com a redução da arrecadação, e destacaram que os combustíveis
foram responsáveis por 86% das arrecadações estaduais e distrital em 2021.
O ICMS é apenas uma parte do preço dos
combustíveis. A totalidade do valor é composta pelo preço vendido pela
Petrobrás nas refinarias (lembrando que hoje esse valor é indexado ao dólar),
mais tributos federais (PIS/Pasep, Cofins e Cide), somado ao custo de
distribuição e revenda.
SÃO
PAULO E GOIÁS
A ação direta de inconstitucionalidade (ADI)
foi aberta pouco depois de estados como São Paulo e Goiás se adiantarem e
limitarem, por conta própria, suas alíquotas de ICMS sobre combustíveis. O
valor da tributação em SP passou de 25% para 18%. A estimativa é que a medida
provoque queda de R$ 4,4 bilhões na arrecadação do estado e a gasolina sairia
dos R$ 6,97 para R$ 6,50, um desconto de R$ 0,48.
A redução das receitas provocará, na
avaliação do governador Rodrigo Garcia (PSDB), uma diminuição dos gastos em
saúde, educação e tecnologia no estado. “A conta é muito simples: nós temos um
orçamento vinculado de 30% [do ICMS] para educação, 12% para saúde”, explicou o
mandatário.
“Quando você reduz o ICMS, que estamos
estimando em mais de R$ 4 bilhões só em relação à gasolina, você tira R$ 1,2
bilhão da educação, R$ 600 milhões da saúde, e assim sucessivamente”,
acrescentou.
Uma audiência de conciliação foi
realizada no STF nesta terça na tentativa de fechar um acordo entre União,
estados e DF . Na reunião estados e DF fizeram uma proposta com quatro
pontos para tentar um acordo com a União, que se comprometeu a estudar e
responder até o fim de quarta-feira (29).
O ministro do STF, Gilmar Mendes, conduziu a
audiência de conciliação, quando foram discutidas alternativas para evitar as
perdas dos estados. Ele disse é necessária uma solução rápida, já que o aumento
do preço dos combustíveis atinge mais fortemente as pessoas mais vulneráveis.
O governador Reinaldo Azambuja (PSDB-MS)
afirmou que, caso as normas continuem em vigor, os estados terão de mudar as
políticas públicas implementadas previstas no Plano Plurianual (PPA) 2020-2023.
“Desarrumar finanças estaduais vai resolver problema?”, questionou.
O governador Paulo Câmara (PSB-PE) criticou a
falta de diálogo entre a União e os entes federativos. Já Rui Costa (PT-BA) destacou
que a cadeia produtiva dos combustíveis no Brasil é um mercado oligopolizado.
“Uma eventual redução de tributo será transferida ao consumidor ou será
incorporada como margem de lucro das empresas?”, pontuou.
A governadora Regina Souza (PT-PI) defendeu
uma compensação aos estados com a redução de receitas causada pelas LCs 192 e
194, pois senão haverá uma diminuição dos repasses aos municípios e
dificuldades na folha de pagamentos dos servidores. Para Ranolfo Vieira Júnior
(PSDB-RS), as leis complementares ofendem o pacto federativo e, por isso, pediu
uma modulação dos seus efeitos.
Na avaliação do governador Cláudio Castro
(PL-RJ), os estados já fizeram sua parte ao congelar, em novembro do ano
passado, o valor do ICMS cobrado nas vendas de combustíveis. O presidente do
Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos
Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), Décio Padilha da Cruz, informou que
essa medida causou uma renúncia, pelos estados, de R$ 19 bilhões até maio deste
ano.
Veja a íntegra
do resumo da reunião entre governadores e o gabinete do ministro
Gilmar Mendes.
Veja a íntegra
da ata da audiência.
Fonte:
Portal Vermelho, com informações da Agência Brasil e do STF
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