Informativo
LEIA A RESOLUÇÃO POLÍTICA DA DIREÇÃO EXECUTIVA NACIONAL DA CTB
Reunida
no dia 24 de maio de 2022 a Direção Executiva Nacional da CTB aprovou a
seguinte resolução política:
1- Vivemos dias difíceis para a classe
trabalhadora e o povo brasileiro, que estão sendo duramente castigados pelo
avanço da carestia, arrocho dos salários, desemprego e precarização do mercado
de trabalho;
2- A inflação bateu um novo recorde em
abril. Medido pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
subiu 1,06%, maior elevação para o mês desde 1996. Em 12 meses, a alta foi de
12,13%, maior patamar para o período de um ano desde outubro de 2003;
3- O drama é maior para as camadas mais
pobres do nosso povo porque os preços dos alimentos e gás de cozinha subiram
duas vezes mais que o índice oficial. Também no mês de abril a maior variação
(2,06%) e o maior impacto (0,43 p.p.) da inflação vieram dos itens alimentação
e bebidas;
4- Não é sem razão que a carestia seja hoje
apontada como o principal problema do país, segundo as pesquisas de opinião;
5- A alta dos preços promove uma
perversa redistribuição da renda a favor do capital e contra o trabalho. Reduz
o valor real dos salários e vem acompanhada de uma crescente precarização;
6- Conforme o Dieese a maioria dos
acordos e convenções coletivas celebradas nas datas-bases das categorias
profissionais consagra reajustes inferiores ao Índice Nacional de Preços ao
Consumidor (INPC-IBGE) acumulado. O órgão também constatou o crescimento do
trabalho precário ao longo do governo Bolsonaro num cenário em que o exército
de desempregados, desalentados e subocupados soma 27 milhões e cerca de 40
milhões de trabalhadores e trabalhadoras são informais;
7- A responsabilidade do presidente Jair
Bolsonaro na tragédia econômica e social é óbvia. Começa pela política de
dolarização dos preços de combustíveis, feita para saciar o apetite de
acionistas privados, passa pela terceirização da regulação do setor de
alimentação e bebida, flexibilização e destruição de direitos trabalhistas e
privatizações;
8- A crise castiga a economia nacional e o
povo, mas não impede o crescimento dos lucros de ociosos rentistas, premiados
pela política de juros altos do Banco Central, que em maio aumentou a taxa
básica de juros (Selic) para 12,75% ao ano, sob o pretexto de combater a
inflação. Com isto, cresce também o custo do crédito no sistema financeiro, do
cartão, do crédito direto ao consumidor e das linhas de crédito em geral. O
impacto sobre as contas públicas é extraordinário. O economista-chefe da RYO
Asset, Gabriel Leal de Barros, calcula que as altas da taxa básica neste ano
devem elevar o custo da dívida pública (com o pagamento de juros) em R$ 580,1
bilhões ao longo deste ano, o que vai resultar em novos cortes nos gastos e
investimentos públicos. Como resultado da política de juros altos, o lucro dos
quatro maiores bancos do país —Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e BB (Banco
do Brasil)— somou R$ 24,76 bilhões no primeiro de 2022, um robusto crescimento
de 13,57% em relação ao mesmo período do ano passado;
9- Mas o líder da extrema direita faz de
conta que não tem culpa no cartório. Promove um cínico jogo de cena em que
busca jogar a culpa na Petrobras com discursos demagógicos inflamados para
ludibriar eleitores, enquanto do outro lado mantém e aprofunda a política
neoliberal entreguista que é a principal causa do desastre. Age de forma
semelhante quando procura se isentar da responsabilidade pela tragédia
sanitária criada por sua política negacionista, que já nos deixou trágico um
saldo de 665.727 mortes por covid-19 até o dia 24 de maio. Mas Bolsonaro será
julgado pelo Tribunal Permanente dos Povos por crimes contra a humanidade
durante a pandemia, ataques às minorias e ameaças à democracia. A Federação
Nacional dos Enfermeiros, que denunciou os atos criminosos do presidente, será
testemunha no processo, juntamente com dirigentes do CNTSS, CNTS e ISP. O
julgamento ocorre nestas quarta (24) e quinta-feira (25);
10- O governo quer acelerar o processo de
entrega da Eletrobras, anuncia estudos para a privatização da Petrobras e adota
novas iniciativas e medidas para precarizar as relações trabalhistas sob o
pretexto de combater o desemprego, ressuscitando propostas e MPs que foram
derrotadas no Congresso Nacional. Desta forma, agrava os problemas nacionais.
Em contraposição ao bolsonarismo, é preciso reiterar que a interrupção da
política entreguista e o fortalecimento das empresas públicas é essencial para
a recuperação da economia e o desenvolvimento nacional soberano;
11- Desesperado com a perspectiva de
perder as eleições, sugerida pelas pesquisas que atestam uma ampla e
persistente liderança de Lula na corrida presidencial, Bolsonaro eleva a
retórica golpista, levantando suspeitas infundadas sobre as urnas eletrônicas e
vociferando contra o STF, o TSE e seus ministros;
12- Diante desta conjuntura, a Direção
Executiva Nacional da CTB considera que o pleito de outubro para a Presidência,
o Congresso Nacional, bem como governos e legislativos estaduais, é a grande
batalha que deve centralizar a atenção e a energia da militância e das direções
da nossa Central Classista e reitera a necessidade de construção de uma frente
ampla para barrar o golpismo;
13- O pronunciamento das urnas será decisivo
para definir o futuro da nação. O povo vai decidir se o país permanece no rumo
da barbárie neofascista imposta pelo governo Bolsonaro ou elege um outro
caminho, o da reconstrução dos direitos e conquistas, crescimento do PIB e do
emprego e resgate de um novo projeto nacional de desenvolvimento fundado na
valorização do trabalho, na democracia e na soberania;
14- Além de derrotar Bolsonaro e eleger um
governo comprometido com a agenda da classe trabalhadora aprovada na Conclat, é
fundamental aumentar a representação dos trabalhadores no Parlamento. Conforme
dados computados pelo DIAP a presença de representantes autênticos dos
trabalhadores e trabalhadores no Congresso Nacional caiu significativamente ao
longo dos últimos anos. Situação idêntica ocorreu nas assembleias legislativas.
Para reverter este quadro, a CTB estimula as candidaturas classistas e lutará
para eleger parlamentares ligados à Central, fator essencial para reverter as
contrarreformas trabalhistas e previdenciária;
15- Cobra também prioridade e urgência da CTB
e dos movimentos sociais a realização de uma ampla Campanha Contra a Carestia,
na qual devemos apontar a responsabilidade das autoridades pelo descalabro
inflacionário e exigir medidas concretas para deter a alta dos preços, como as
que foram elencadas na Pauta da Classe Trabalhadora aprovada pela Conclat 2022,
documento unitário do movimento sindical que assume grande relevância na
batalha para definir o projeto e os rumos políticos da nação. Entre elas,
destacam-se o fim imediato da dolarização dos preços dos combustíveis, embutida
na Paridade de Preços Internacional imposta pela direção da Petrobras indicada
por Bolsonaro;
16- Faz-se necessária a revisão da política
de preços de produtos essenciais, isenção das tarifas públicas de energia, água
e gás de cozinha para os mais pobres e carentes, o fortalecimento da agricultura
familiar e políticas efetivas de abastecimento e segurança alimentar,
promovendo a recuperação da capacidade operativa da Conab (Companhia Nacional
de Abastecimento), formação de estoques reguladores e retomando as políticas de
aquisição de alimentos, bem como promovendo o tabelamento dos preços nos níveis
registrados em janeiro de 2019 e o fim do tripé econômico responsável pela
desnacionalização, fome e miséria;
17- Cabe ainda destacar o papel estratégico
da valorização do trabalho obtido pela luta da categoria da enfermagem e dos
agentes comunitários de saúde e combate às endemias, que deve ser celebrada
nessa atual conjuntura como uma vitória do conjunto da classe trabalhadora,
tendo em vista a cruel marcha de desvalorização do trabalho. Essas vitórias
precisam ser consolidadas e servirem de referência para as demais categorias.
Fonte:
Portal CTB
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