Informativo
Nossa força está na unidade e luta por um Brasil mais democrático, soberano e justo, afirma Adilson Araújo na abertura da Conclat
O presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil), Adilson Araújo, foi o primeiro a falar na Conferência Nacional da
Classe Trabalhadora (Conclat), realizado nessa quinta-feira (7) em São Paulo
(SP). Enfatizou que o ano eleitoral de 2022 pode definir o futuro do país e que
a unidade da classe trabalhadora é fundamental na luta para derrotar o
neofascismo e abrir novas perspectivas para a classe trabalhadora e a nação
brasileira. Leia abaixo o pronunciamento do sindicalista classista:
Saúdo
as Centrais Sindicais e, através delas, o conjunto da classe trabalhadora
brasileira
Meus
amigos, Minhas amigas
Estamos
diante de uma encruzilhada histórica. O ano de 2022 será decisivo para o povo
brasileiro definir se continua no rumo da barbárie neofascista imposta pelo
governo Bolsonaro ou se elege um outro caminho, o da reconstrução da nação,
crescimento do PIB e do emprego.
A
Conclat sinaliza o caminho para o resgate de um novo projeto nacional de
desenvolvimento fundado na valorização do trabalho, na democracia e na
soberania, bem como na defesa da saúde e da vida. Não podemos permitir a
continuidade de um genocida no poder, responsável por uma política sanitária
criminosa que já resultou em mais de 660 mil mortes por covid-19 no Brasil.
O
País segue desgovernado, num cenário trágico de desindustrialização,
desnacionalização e desmonte do Estado Nacional.
Temos
de barrar a política de liquidação do patrimônio público, impedir a
privatização dos Correios, da Eletrobras e Eletronorte, da Petrobras, do Banco
do Brasil e da Caixa Econômica Federal, bem como o sucateamento da Marinha
Mercante e nossos portos. Essa nefasta política entreguista da dupla
Bolsonaro/Guedes faz do Brasil uma neocolônia dos EUA.
Urge
revogar a EC 95, que congelou os investimentos públicos e implica no
subfinanciamento das políticas sociais e provoca o esvaziamento da presença do
Estado em setores estratégicos da vida nacional (Educação, Saúde – SUS -,
Ciência e Tecnologia, seguridade social, logística e infraestrutura). A atual
política fiscal impede a recuperação da economia e conspira contra o
desenvolvimento nacional.
Devemos
lutar para garantir transparência, ética e eficiência na alocação dos recursos
públicos. Isto pressupõe o fim do orçamento secreto, mais um canal aberto para
a corrupção e financiamento ilícito de campanhas eleitorais.
ARROCHO
SALARIAL E DESEMPREGO
O
quadro econômico é lastimável. A inflação ultrapassa os dois dígitos e incide
com mais força sobre alimentos, energia e combustível. Sangra o bolso do povo.
Reduz o valor real dos salários. Para agravar a situação, o Banco Central
elevou a taxa de juros para 11,75%, criando com isto mais um sério obstáculo à
recuperação econômica e ampliando escandalosamente os lucros dos bancos e
rentistas.
Segundo
dados do IBGE, desempregados e desalentados somam 18,6 milhões de pessoas. Já a
população subutilizada chega a 30,7 milhões. A fome se alastra. Temos 20
milhões de pessoas com fome e 116 milhões em situação de insegurança alimentar.
A
classe trabalhadora é duramente castigada pelo desemprego, perda de direitos,
carestia e arrocho dos salários. O governo tem sede em liquidar o Direito do
Trabalho e a CLT.
A
renda média do trabalho caiu 11,4% no ano passado; e (infelizmente) a maioria
dos acordos e convenções coletivas foi fechada com reajustes abaixo da
inflação.
A
continuidade do Clã Bolsonaro não significaria apenas a preservação da agenda
reacionária inspirada no neoliberalismo. Seria um trágico aval popular para o
avanço da barbárie neofascista. Derrotar o líder da extrema direita é vital
para o movimento sindical e as forças democráticas e progressistas.
A
realização da Conclat representa um momento de afirmação da unidade da nossa
classe trabalhadora.
Com
foco na luta por Emprego, Direitos, Democracia e Vida, a Conclat deve aprovar
uma pauta unificada do sindicalismo nacional levantando as principais bandeiras
e demandas dos trabalhadores e trabalhadoras para apresentar aos candidatos e
candidatas no pleito convocado para outubro.
Essa
Conclat deve reiterar nosso compromisso com a construção de uma ampla frente
social e política para derrotar a extrema direita, resgatar um novo projeto de
desenvolvimento nacional, promover mudança substancial na política
macroeconômica (já não é mais possível tolerar o tripé composto por juros
altos, câmbio flutuante e cortes nos investimentos públicos para realizar o tal
superávit primário).
É
nosso dever lutar unitariamente para revogar as reformas trabalhista e da
Previdência, assim como a EC 95; combater o desemprego e a terceirização;
arquivar a malfadada PEC 32; ampliar os investimentos públicos e universalizar
o acesso aos serviços públicos. O SUS é nosso! O MEC é nosso!
Nosso
objetivo no pleito exige grande atenção com a corrida presidencial. Mas também
é fundamental a eleição de governadores e parlamentares comprometidos com as
causas trabalhistas. Sem alterar a composição do Congresso Nacional será muito
difícil, senão impossível, resgatar direitos ou mesmo impedir novos
retrocessos.
A
unidade é nossa força e nosso caminho para elevar a consciência e o
protagonismo da classe trabalhadora na grande política nacional. Nunca será
demais valorizá-la e fortalecê-la.
“É
preciso atrair violentamente a atenção para o presente do modo como ele é, se
se quer transformá-lo. Pessimismo da inteligência, opimismo da vontade“,
conforme assinalou o filósofo italiano Antonio Gramsci.
Fonte: Portal CTB
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