Informativo
ECONOMIA MUNDIAL ENTRA EM PARAFUSO E CONTRASTA COM A CHINA
Por Osvaldo Bertolino
Altas
autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial
manifestaram apelos para que os ricos ajudem os pobres a enfrentarem a
situação. Os alertas mostram que as dívidas públicas e privadas dispararam em
um cenário de taxas de juros baixas. É um quebra-cabeça difícil para as
instituições sediadas em Washington, que sempre exigiram arrocho fiscal.
A
diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, e o presidente do Banco Mundial,
David Malpass, disseram que muitos países não se sentem confiantes em uma
recuperação econômica e pediram aos maiores credores – China e grandes
instituições privados em particular – a fazerem mais para aliviar a crise de
endividamento enfrentada pelos países mais vulneráveis.
Kristalina
Georgieva asseverou que “nove meses após o início de uma pandemia e ainda
estamos lidando com a escuridão de uma crise que ceifou mais de um milhão de
vidas e que colocou a economia em marcha à ré, causando desemprego, aumentando
a pobreza e os riscos de uma geração perdida ‘em países de baixa renda”. “Estou
muito preocupada que o apoio aos trabalhadores e empresas seja retirado
prematuramente, porque isso pode causar uma onda de falências e um aumento
maciço do desemprego”, alertou.
Georgieva
prevê uma breve recuperação em 2021, basicamente pela injeção pelos governos de
US$ 12 trilhões (cerca de R$ 67,4 trilhões) nas economias ao redor do mundo,
mas as perdas de crescimento nos próximos cinco anos são estimadas em cerca de
S$ 28 trilhões (R$ 157 trilhões). Com um aumento da pandemia e nenhuma vacina
de alcance global à vista, Georgieva alertou que todos os países enfrentam um
desafio para sair da crise que será “difícil, desigual, incerto e sujeito a
contratempos”.
PRESSÃO
SOBRE A CHINA
David
Malpass, do Banco Mundial, pediu alívio da dívida para os países pobres. O G20
concordou e prometeu a suspensão do serviço da dívida para os 43 países mais
pobres do mundo, o que representa cerca de US$ 5 bilhões (R$ 28 bilhões) de
obrigações até o final do ano, bem abaixo do esperado, de até US$ 11 bilhões
(R$ 61,7 bilhões). A promessa é de uma extensão de seis meses desta iniciativa,
mas Malpass cobrou rapidez.
A
pressão recai sobre a China, que segundo o Banco Mundial consolidou amplamente
sua posição como o maior credor dos países pobres nos últimos anos, bem à
frente do Japão. A participação do gigante asiático no passivo total devido aos
países do G20 por outras nações aumentou de 45% em 2013 para 63% no final de
2019, disse o Banco Mundial em um comunicado.
A
gravidade da situação pode ser medida por um novo estudo divulgado pelo
Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organização das Nações Unidas (ONU),
indicando que uma refeição básica está muito além do alcance de milhões de
pessoas em 2020. A pesquisa revela que a pandemia agrava a situação causada por
conflitos, mudanças climáticas e problemas econômicos.
O
relatório intitulado “Custos de um Prato de Alimentos 2020” afirma que os
países onde uma refeição simples, como arroz com feijão, custa mais, quando
comparada com o rendimento das pessoas. O diretor executivo do PMA, David
Beasley, disse em comunicado que “são as pessoas mais vulneráveis ??que sentem
os piores efeitos.” Segundo ele, as vidas “dessas pessoas já estavam no limite
antes da pandemia de coronavírus, e agora sua situação é muito pior, com a
pandemia ameaçando uma catástrofe humanitária.”
DÍVIDA
PÚBLICA DISPARA
A
crise chega forte também no centro do sistema das economias mais ricas, os
Estados Unidos, que registram um crescimento considerável no déficit
orçamentário, já superior a US$ 3,1 trilhões em 2020. É o pior resultado do
país, contra cerca de US$ 1 trilhão no ano passado, que já representava um
nível elevado. Até então, o mais alto déficit tinha ocorrido em 2009, quando
chegou a US$ 1,4 trilhão.
O
salto contabiliza o ano fiscal de 2020, que inclui vários meses antes da
pandemia. São dados que refletem um grande aumento nos gastos para enfrentar as
consequências econômicas. O governo gastou US$ 6,552 trilhões, acima dos US$
4,447 trilhões de um ano atrás, de acordo com os dados divulgados em conjunto
com o Departamento do Tesouro. A arrecadação somou US$ 3.420 trilhões em
receitas, uma ligeira redução em relação a 2019.
Há
ainda o aumento substancial da dívida pública norte-americana, que o presidente
Donald Trump prometeu eliminar em oito anos, que saltou de U$ 14,4 trilhões
para US$ 21 trilhões neste governo. E a discussão na Câmara dos Deputados sobre
outra rodada de alívio econômico, que poderia incluir outros cerca de US$ 2
trilhões em ajuda, o que poderá aumentar ainda mais o déficit orçamentário.
BENEFÍCIO
FEDERAL
Um
amplo espectro de economistas – inclusive o presidente do Federal Reserve
(Fed), Jerome H. Powell – considera a assistência fundamental para evitar que a
recuperação econômica diminua e impedir que milhões de caiam na pobreza
extrema. As empresas aceleraram o ritmo de demissões nas últimas semanas,
principalmente em empresas relacionadas a viagens. A pressão dos conservadores
contra a medida está reavivando o cenário das ferozes batalhas orçamentárias que
caracterizaram grande parte do governo do ex-presidente Barak Obama.
Em
março e abril, o Congresso aprovou cerca de US$ 3 trilhões em programas de
gastos em resposta à pandemia. Isso incluiu centenas de bilhões de dólares em
ajuda para desempregados e pequenas empresas, bem como cheques de estímulo de
US$ 1.200 para milhões de norte-americanos. A economia entrou em forte recessão
no início deste ano, quando muitas empresas fecharam e enviaram trabalhadores
para casa por causa do surto do vírus.
De
acordo com o jornal The Washington Post,
economistas e legisladores de ambos os lados do corredor político
norte-americano – democratas e republicanos – pedem mais gastos do governo. A
taxa de desemprego caiu de 14,7% em abril para 7,9% em setembro, mas dezenas de
milhões de norte-americanos continuam desempregados e os pedidos de subsídio de
desemprego aumentaram. Um benefício federal para milhões de desempregados
expirou, e os economistas alertam que a recuperação pode ser estagnada ou
revertida com o encerramento prematuro dos programas de ajuda.
CENÁRIO
DIFERENTE NA CHINA
A
China apresenta um cenário diferente. Além de se tornar a maior economia do
mundo, de acordo com os parâmetros do FMI, que em relatório mostra que a
economia chinesa é um sexto maior do que a dos Estados Unidos (U$ 24,2 trilhões
contra U$ 20,8 trilhões). Em 2020, a China será a única grande economia que
registrará crescimento. Segundo a agência de notícias chinesa Xinhua,
o país é capaz de alimentar 20% da população mundial, o que é uma contribuição
significativa, conforme avaliação de Zhang Wufeng, chefe da Administração
Nacional de Alimentos e Reservas Estratégicas.
A China conta com 9% das terras aráveis do
mundo e 6% dos recursos de água doce e se tornou uma força positiva na
salvaguarda da segurança global de alimentos, conforme registrou o país na
Organização das Nações Unidas (ONU) no Dia Mundial da Alimentação, que caiu na
sexta-feira deste ano. Diante da pandemia, o governo chinês adotou uma série de
políticas para estabilizar a produção de alimentos e garantir o fornecimento, o
que garantiu preços estáveis no mercado, de acordo com Marielza Oliveira,
representante da Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações
Unidas (ONU) na China.
Fonte: Portal Vermelho
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