Informativo
CENTRAIS SINDICAIS CONVOCAM PARALISAÇÕES PARA QUARTA E EXIGEM PROTEÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA NA CRISE
As centrais sindicais brasileiras lançaram na
noite dessa segunda-feira (16) uma nota unitária em que orientam os sindicatos
e suas bases a evitarem manifestações de rua, ao mesmo tempo em que reiteram a
convocação do Dia Nacional de Luta para quarta-feira (18) com paralisações,
greves e protestos virtuais, e defendem uma série de medidas para proteger a
classe trabalhadora e a saúde do povo brasileira frente à pandemia do
coronavírus. Leia a íntegra abaixo:
MEDIDAS
DE PROTEÇÃO À VIDA, À SAÚDE, AO EMPREGO E À RENDA DOS TRABALHADORES E
TRABALHADORAS
As Centrais Sindicais, reunidas em São Paulo
em 16 de março de 2020, preocupadas em relação à disseminação do coronavírus,
orientam todas as suas entidades que, no dia 18 de março – Dia Nacional de
Lutas, evitem atos de ruas e demais aglomerações. Mas reafirmam a importância
da manutenção do Dia de Luta, com paralisações, greves e protestos virtuais
nessa data.
A rapidez da disseminação global do
coronavírus, já declarado pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem
gerado também muita especulação quanto aos efeitos na economia mundial.
O vírus chega ao Brasil em um momento de
estagnação econômica, desmonte dos serviços públicos, aumento da pobreza e no
qual o mercado de trabalho está fortemente desajustado, com alto desemprego e
com grande parcela dos ocupados em empregos informais, portanto, fora de
qualquer proteção social, em razão das políticas econômicas adotadas, que
subtraem recursos da área social. A crise de uma pandemia expõe a fragilidade
das medidas neoliberais adotadas pelo Brasil, com privatização dos serviços
públicos, desregulamentação do trabalho e exclusão do Estado como garantidor
dos direitos sociais.
O plano apresentado pelo governo de Jair
Bolsonaro, por intermédio do ministro da Economia, Paulo Guedes, vai na
contramão das medidas adotadas pelos países mais afetados pelo coronavírus para
combater a pandemia e proteger as economias locais. Propõe acelerar a
aprovação das reformas neoliberais, em tramitação no Congresso, que enfraquecem
ainda mais os serviços públicos, retiram direitos dos trabalhadores e
fragilizam o Estado para enfrentar uma crise econômica mundial.
O momento que atravessamos não tem
precedentes na história recente. O presidente Jair Bolsonaro, em vez de liderar
as medidas de combate e prevenção à propagação do vírus, sai de um confinamento
médico, desrespeitando todas as determinações das autoridades de saúde
mundiais, para fomentar e participar de atos públicos pelo país que têm como
pauta o ataque à democracia e a defesa da intervenção militar no Brasil, em
desrespeito a toda a população brasileira e suas instituições.
As Centrais Sindicais entendem que enfrentar
o coronavírus é a principal tarefa de toda a sociedade brasileira e de todas as
instituições comprometidas com o país e, diante do desleixo do governo, vêm a
público exigir medidas efetivas de proteção à vida, à saúde, ao emprego e à
renda dos trabalhadores e trabalhadoras. As Centrais Sindicais conclamam o
Congresso Nacional, governadores, prefeitos e o empresariado nacional a
constituir um canal de diálogo que institua essas e outras medidas que se
fizerem necessárias.
É hora de reconhecer a importância da
política pública de saúde e do sistema universal para toda a sociedade
brasileira. Nesse sentido, a primeira medida deve ser a suspensão do teto de
gastos (Emenda Constitucional 95), que somente em 2019 retirou perto de R$ 20
bilhões da saúde. Também é preciso suspender os dispositivos da Lei de
Responsabilidade Fiscal que impedem o aumento de investimentos na saúde dos
estados e municípios, nesse momento de crise extrema. Além disso, é necessária
a imediata suspensão do pagamento do serviço da dívida pública até o final do
ano.
Para enfrentar esse momento, é preciso
garantir que o Estado brasileiro tenha agilidade e recursos para, por meio dos
serviços públicos, garantir o atendimento de toda a população, nos serviços de
saúde, de assistência social e nos programas de proteção ao trabalhador e
trabalhadora. O Congresso deve suspender imediatamente todas as medidas que
retirem direitos dos trabalhadores/as.
Essas ações permitirão que o Estado tenha
capacidade financeira para garantir às trabalhadoras e aos trabalhadores
brasileiros a proteção necessária nesse momento: (1) proteção ao emprego, com
estabilidade; (2) proteção à renda, com garantia e ampliação dos programas
existentes na seguridade social e outros mais que se fizerem necessários; (3)
proteção à saúde, com segurança alimentar e medidas de combate ao contágio dos
trabalhadores e trabalhadoras, formais e informais, com medidas específicas
para os mais afetados: saúde, transporte, segurança pública e educação.
Essa tragédia econômica, social e sanitária
chega ao país em um momento de crise econômica. Nos próximos meses, veremos o
aprofundamento dessa crise. Apresentamos, a seguir, medidas emergenciais de
proteção aos trabalhadores e trabalhadoras, mas é importante ter no horizonte a
necessidade de realizar um debate de retomada do crescimento econômico, assim
que passar a fase aguda da crise sanitária. A saída passa pela recuperação da
capacidade de o Estado brasileiro ampliar os investimentos. Para esse tema, as
Centrais Sindicais defendem as medidas apresentadas na Agenda Prioritária da
Classe Trabalhadora.
Investimento público para atravessar esse
momento
Para enfrentar o cenário agravado com a
pandemia, é necessário ampliar o investimento público, garantindo que o Estado
brasileiro possa atuar de modo efetivo, por meio das seguintes medidas:
1. Suspensão do teto de gastos (EC 95), a fim
de garantir os investimentos públicos necessários para fortalecer os serviços
públicos, especialmente a saúde e a proteção social;
2. Suspensão dos efeitos da Lei de
Responsabilidade Fiscal, para que estados e municípios possam realizar os
investimentos necessários no período de enfrentamento à crise;
3. Suspensão do pagamento da dívida pública e
utilização dos recursos para fortalecer a seguridade social (saúde, previdência
e assistência social).
4. Revogação da Emenda Constitucional 86, que
estabelece medidas que reduzem os valores obrigatórios para a saúde.
5. Suspensão de todas as votações e sessões
do Congresso Nacional que excluem direitos da classe trabalhadora, bem como a
revogação da Medida Provisória 905 e a retirada das PECs emergenciais enviadas
pelo governo, antes da pandemia.
Medidas de proteção ao trabalhador e
trabalhadora com garantia de estabilidade no trabalho e renda Os trabalhadores
e as trabalhadoras estão mais expostos aos riscos econômicos e sociais que
virão. Também estão mais expostos ao contágio, uma vez que são eles que
utilizam transporte público – que, em nossas cidades, trafegam cotidianamente
com alta concentração de pessoas -, além de executarem as atividades laborais
em locais com grande concentração populacional, muitas vezes sem ventilação
adequada. É preciso adotar medidas que protejam os trabalhadores/as formais e
também os informais.
Vale lembrar que o enfrentamento da crise
causada pelo coronavírus pode durar até seis meses, mas seus efeitos devem ter
um prazo ainda maior. Nesse caso, as medidas devem ser monitoradas e adaptadas
para cada período.
1.Garantia de estabilidade para todos os
trabalhadores e trabalhadoras no período da crise, por meio dos diversos
instrumentos de políticas públicas existentes e também, caso necessário, com a criação
de novos mecanismos que garantam o emprego e a renda de todos os trabalhadores,
formais e informais;
2.Ampliar imediatamente o seguro-desemprego
pelo período necessário, conforme os desdobramentos da crise sanitária e
econômica;
3.Durante o período de redução da circulação
de pessoas, suspender as atividades laborais quando forem confirmados casos de
coronavírus nas empresas, garantindo proteção à saúde e à vida dos
trabalhadores e trabalhadoras;
4.Se for decretado período de confinamento
geral da população, é relevante garantir emprego e renda para os trabalhadores
e trabalhadoras formais e informais;
5.No período de redução da circulação,
fomentar jornadas de trabalho com horários de entrada e saída alternativos, que
evitem circulação no transporte público em horários de pico. Além disso,
estabelecer medidas temporárias como o home office, com estabilidade e garantia
da renda do trabalhador;
6.No período de redução da circulação de
pessoas, considerar como falta justificada aquelas realizadas pelos trabalhadores
e trabalhadoras que ficarão em casa para acompanhar os filhos de até 12 anos,
por força da suspensão das atividades escolares presenciais;
7.Pagamento de auxílio creche no valor de 1
salário mínimo para contratação de um cuidador/a domiciliar para os/as
profissionais de saúde com filhos menores de 12 anos;
8.Os trabalhadores informais/conta própria
que sofrerem quebra de atividade durante a redução da circulação de pessoas ou
no caso em que seja definido período de confinamento geral da população; ou,
ainda, que necessitem se afastar do trabalho para os cuidados com as crianças
em recesso escolar terão apoio financeiro através da Seguridade Social, com
valores definidos conforme as regras do seguro desemprego, através dos
mecanismos disponíveis na seguridade social (para os informais sem contribuição
previdenciária, deve-se implementar programas da seguridade, tais como o BPC,
Benefício de Prestação Continuada, o Bolsa Família e/ou programas similares ao
seguro-defeso);
9.Diferimento do pagamento de contribuições
sociais para os trabalhadores/as conta própria e microempreendedores durante a
redução ou cessação das atividades econômicas desses trabalhadores/as;
10.Ampliar a licença-maternidade para as
trabalhadoras que voltariam às suas atividades no período da quarentena;
11.Suspender o retorno dos trabalhadores
afastados por auxílio doença pelo período em que durarem as medidas de redução
da circulação de pessoas e/ou de confinamento geral da população;
12.Desde que informado ao departamento
pessoal/recursos humanos pelos trabalhadores e trabalhadoras sobre doenças como
gripes, resfriados e/ou de suspeita de coronavírus, as empresas devem abonar as
faltas, sem necessidade de atestado médico. As medidas de abono ao trabalho
devem também se estender aos trabalhadores de aplicativos;
13.Se houver quebra da atividade para os
trabalhadores de aplicativo de transporte: suspender a cobrança dos contratos
com as locadoras de veículos, pelo período que durar a quarentena para aqueles
que trabalham com veículo alugado; adiar a cobrança da prestação, sem cobrança
de juros e multas, para aqueles que trabalham com veículos financiados;
14.Para os trabalhadores de aplicativos que
necessitarem de isolamento e/ou tenham contraído coronavírus, as empresas
responsáveis pelos aplicativos devem estabelecer medidas que garantam a
remuneração média dos trabalhadores no período de afastamento, conforme as
orientações das autoridades sanitárias brasileiras (como criação de um fundo
com recursos para esse fim);
15.Imediatamente, garantir que trabalhadores
e trabalhadoras da saúde, segurança pública e transportes tenham acesso aos
EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e treinamento adequado para
utilizá-los, bem como tenham a saúde monitorada;
16.Implementar com urgência força tarefa para
liberar a fila do INSS, garantindo aos aposentados o acesso aos benefícios para
quase 2 milhões de solicitações;
17.Garantir a ultratividade da negociação
coletiva (manutenção do acordo/convenção até que outro seja fechado) pelo
período de 180 dias ou até que a crise causada pelo coronavirus seja superada.
Medidas de proteção à população mais
vulnerável e à segurança alimentar
18.Garantir uma força tarefa e o orçamento
adequado para zerar a fila do programa Bolsa Família (3,5 milhões de pessoas);
19.Congelar os preços de itens de primeira
necessidade, como álcool em gel, máscaras de proteção, medicamentos auxiliares
no tratamento a enfermidades virais e a cesta básica de alimentos;
20. Reduzir o preço do botijão de gás para R$
40,00 para a população em geral e fornecê-lo, de forma gratuita, para os mais
carentes.
Fonte:
Portal CTB
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