Informativo

Foto: Ricardo Stuckert Foto: Ricardo Stuckert
10/04/2026

FLÁVIO BOLSONARO E EXTREMA DIREITA QUEREM VENDER O BRASIL, ALERTA LULA

Em entrevista ao ICL, presidente defende democracia, urnas eletrônicas e dizer ser preciso fortalecer a defesa do país diante das investidas do bolsonarismo em conluio com Trump.

Por Priscila Lobregatte

“Se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil”, alertou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (8), em entrevista ao ICL Notícias, referindo-se ao ímpeto entreguista da extrema direita brasileira, em especial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidatos à presidência da República.

Ao iniciar a conversa com o jornalista Leandro Demori e o economista Eduardo Moreira, Lula falou das eleições deste ano: “Há uma tentativa de consolidar um esquema de ultradireita neste país que passa por colocar um fim à democracia, porque eles continuam sonhando em fechar a Suprema Corte, falando que a urna eletrônica permitiu que houvesse fraude e desacreditando tudo quanto é instituição que garanta o funcionamento da democracia”.

Por isso, salientou, “esta certamente será uma eleição que terá como ponto alto a defesa da democracia ou não democracia. E nós precisamos ter competência para explicar à sociedade o significado da palavra democracia. Porque democracia não é uma palavra abstrata, não é só o direito de o cidadão votar. A democracia é para o cidadão votar, controlar o seu voto e exigir que as pessoas cumpram com um mínimo do programa que foi a razão pela qual aquela pessoa foi eleita”.

O presidente destacou também ser preciso mostrar à população que democracia é o “direito elementar de todo mundo ser cidadão de primeira classe”, o que depende de o povo ter saúde, educação, moradia, trabalho digno, aumento de renda, cultura e lazer. “Precisamos dizer que democracia significa garantir melhorias na qualidade de vida das pessoas”, enfatizou.

Quarto mandato

Lula lembrou do cenário de terra arrasada em que o Brasil se encontrava após quatro anos de Jair Bolsonaro e falou de algumas das principais conquistas já obtidas desde 2023, citando avanços na economia e no mercado de trabalho, entre outros exemplos.

Ao abordar a possibilidade de ser eleito presidente pela quarta vez, defendeu mudanças estruturais que transformem mais profundamente o país. “Para quê eu quero um quarto mandato? Tenho na cabeça que é importante darmos um salto de qualidade porque a gente discute muito os efeitos e não discute a causa. E acho que está na hora de a gente discutir as causas dos problemas brasileiros para agente poder mudar”.

Ele citou como exemplo as mudanças que vêm ocorrendo na educação desde seu primeiro governo. “Para vocês terem uma ideia, vamos terminar o mandato com 780 institutos federais no país — e havia apenas 140 feitos. Nos governos Lula e Dilma, fizemos mais universidades, mais campi, do que em toda a história do Brasil. Isso é um legado para o futuro que começa a aparecer. Hoje já encontro procurador da República, advogado da União, defensores públicos que foram beneficiados pelo Pró-Uni e pelo Fies”, conta.

No entanto, salientou: “precisamos pensar que Estado queremos daqui para a frente. Eu, por exemplo, não quero um Estado em que a gente fique subordinado, quase que sequestrado, pelo orçamento secreto; hoje, 60% vão para as mãos de deputados e senadores. Isso não é correto nem para o Congresso, nem para o Executivo. Temos de executar o orçamento porque a sociedade nos deu um mandato para governar este país”.

Segurança Pública

Ponto de preocupação para a maioria dos brasileiros, a segurança pública também foi tratada pelo presidente, que destacou os esforços do governo para ampliar a participação do Executivo Federal no combate ao crime organizado.

Na Constituição de 1988, lembrou Lula, “colocamos a segurança pública nas mãos dos estados — a União praticamente não tinha nenhum papel. Ela tem hoje um fundo de R$ 2 bilhões para repassar aos estados e tem a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF)”.

Agora, completou, “aprovamos e sancionamos a Lei Antifacção e quero que aprovem a PEC da Segurança Pública para poder criar um Ministério da Segurança Pública e definir melhor qual o papel da União”.

O presidente destacou querer “fazer uma política de segurança pública muito séria, aumentando a PF, a inteligência, cuidando das nossas fronteiras, colocando a PRF para tomar conta das estradas”.

Lula disse, ainda, ser preciso criar uma Guarda Nacional “para a pronta intervenção em casos de bloqueios, no caso de uma facção tentar tomar uma cidade, um bairro, uma vila. (…) A sociedade está precisando que o governo federal entre em ação e para isso precisamos ter a aprovação da nossa PEC”.

Defesa ante o imperialismo

Nesse sentido, e considerando o atual contexto internacional de avanço do imperialismo estadunidense, Lula disse ser necessário também rediscutir o papel da defesa. “Não pode um país com 16,8 mil km de fronteira seca, com 8,5 mil km de fronteira marítima, com 12% da água doce do mundo, com a maior floresta tropical do mundo, com terras raras, minerais críticos e tanto petróleo ser desprovido de segurança. Nunca levamos a sério essa questão”.

Ele ponderou que “hoje o mundo está exigindo que o Brasil pense em segurança com mais seriedade, pense na defesa do povo, de 215 milhões de brasileiros, não na segurança do presidente”. E acrescentou, numa referência não nominal a Donald Trump: “qualquer dia, alguém resolve invadir a gente…tem um cidadão no mundo que acha que é imperador. Todo dia passa um tweet, todo dia decide uma coisa, todo dia desfaz uma coisa e o Brasil não pode ficar vulnerável”.

Neste ponto, Lula abordou a proximidade de Flávio Bolsonaro com a extrema direita estadunidense e os riscos que isso traz à soberania e aos interesses brasileiros. “Ele (Flávio) quer vender para os EUA uma coisa que é tão importante para o Brasil…É uma vergonha, inclusive, o que o (Ronaldo) Caiado fez em Goiás: um acordo com empresas americanas concedendo coisas que ele não pode fazer porque são da União. Então, se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil”.

No final de março, Flávio ofereceu os recursos naturais brasileiros como instrumento para sustentar interesses geopolíticos dos EUA. No mesmo mês, Caiado, ainda à frente do governo de Goiás, assinou um memorando de entendimento com representantes do governo Trump para a exploração de minerais críticos e terras raras no estado.

Mais adiante, Lula salientou: “Queremos aproveitar essa transição energética, essas terras raras e minerais críticos e fazer a revolução do século 21 que o Brasil precisa fazer. O Brasil já perdeu muitas oportunidades e não vai perder mais esta”. E afirmou que será organizado, no âmbito da Presidência da República, um conselho para tratar das terras raras.

Questionado sobre a possibilidade de Trump não reconhecer as eleições caso Lula vença, o presidente declarou: “Pelo que tenho visto do Trump nesses anos, com ele nada é impossível”. Mas, ponderou, “não há nenhum país do mundo que tenha o direito de levantar suspeita sobre o processo eleitoral brasileiro. (…) Se fosse possível roubar com urna eletrônica, o Lula não seria presidente da República neste país”. Ao mesmo tempo, o presidente pontuou que o Brasil “não quer briga com os EUA, nem com ninguém; o Brasil quer apenas respeito”.

Fonte: Portal Vermelho

Veja mais