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19.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de abertura da Caravana Federativa, no Expo Center Norte. São Paulo - SP. Foto: Ricardo Stuckert | PR 19.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de abertura da Caravana Federativa, no Expo Center Norte. São Paulo - SP. Foto: Ricardo Stuckert | PR
20/03/2026

LULA COBRA REDUÇÃO DO ICMS EM COMBUSTÍVEIS PARA ATENUAR EFEITOS DA GUERRA

Na 17ª Caravana Federativa, presidente criticou Tarcísio por não reconhecer ações do governo federal em São Paulo.

Por Davi Molinari

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ao comentar os impactos da guerra contra o Irã sobre a economia brasileira. Ao participar nesta quinta-feira (19) da abertura da 17ª Caravana Federativa, no Expo Center Norte, em São Paulo, ao lado de uma comitiva de ministros e diante de dezenas de prefeitos, Lula condenou quem “acha que é dono do mundo e levanta de manhã decidindo tomar um país”, citando explicitamente a Groenlândia, o Canal do Panamá, Cuba e a Venezuela.

Sem mencionar o nome de Trump, o presidente brasileiro associou os ataques ao Irã à disparada internacional do preço do petróleo e à decisão mais conservadora do Banco Central, que reduziu a Selic em apenas 0,25 ponto percentual. No discurso, Lula assumiu o compromisso de proteger o poder de compra da população frente à instabilidade internacional e garantiu que o governo federal atuará para impedir que a guerra de Trump contra o Irã reflita no preço dos alimentos e combustíveis no Brasil.

O presidente cobrou dos governadores a redução de impostos sobre combustíveis para enfrentar o momento de pressão internacional sobre o preço do petróleo, oferecendo, inclusive, como contrapartida, a devolução de metade do valor da isenção do ICMS que vierem a conceder. A fala ocorre em um momento de resistência dos secretários estaduais de Fazenda, que alegam riscos fiscais para não reduzir a alíquota.

O presidente criticou os empresários que se aproveitam da desgraça para subir os preços e alertou que órgãos como a Polícia Federal e a Receita Federal já estão mobilizados para fiscalizar aumentos abusivos.

A paternidade federal dos programas paulistas

Um dos destaques da fala de Lula foi a crítica de que o governo paulista recebe  investimentos federais, sem reconhecer a paternidade do financiamento. O presidente afirmou que a maioria das unidades habitacionais entregues no estado pelo programa “Casa Paulista” é, na verdade, financiada pelo Minha Casa Minha Vida. “Nem nome ele criou, só plagiou”, disparou Lula, citando o vice-presidente Geraldo Alckmin como o criador do programa estadual quando foi governador de São Paulo.

Lula também criticou a relação do Palácio dos Bandeirantes com os municípios, afirmando que poucos prefeitos paulistas são recebidos pela gestão estadual. Ele chegou a sugerir que os gestores municipais organizem, também, marchas de cobrança aos governos estaduais, da mesma forma que fazem em Brasília, para exigir o que é de direito das cidades.

Sucessão na Fazenda e o horizonte de 2026

O evento marcou o início de uma transição planejada na economia. Lula teceu elogios históricos a Fernando Haddad, classificando-o como o ministro da Fazenda mais exitoso da história do país. No mesmo palco, apresentou Dario Durigan, atual secretário-executivo da pasta, como o sucessor de Haddad. Ao pedir que os prefeitos “olhem bem para a cara” de Durigan, Lula sinalizou a continuidade da política econômica e liberou Haddad para a construção de seu palanque em São Paulo.

O presidente definiu a Caravana Federativa como um “Poupatempo” da gestão pública, onde as demandas locais são resolvidas em tempo real pela estrutura federal, contrastando essa agilidade com a burocracia estadual.

Pacto contra o feminicídio e defesa democrática

Para além da economia e da disputa eleitoral, o presidente fez um apelo humanitário ao anunciar o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. Relatando casos de violência extrema, Lula convocou líderes religiosos, sindicais e comunitários a pautarem o tema diariamente, pedindo uma mudança de comportamento dos homens para que sejam “mais amáveis e compreensivos”.

Ao encerrar, Lula conectou a eficácia do pacto federativo à sobrevivência do sistema democrático. Ele enfatizou que a manutenção da democracia no Brasil depende da responsabilidade cotidiana dos gestores locais, reforçando o compromisso do governo com a reconstrução da democracia iniciada em 2023.

Fonte: Portal Vermelho

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