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SUJOS DA MESMA LAMA, MBL, DORIA E NOVO QUEREM DISTÂNCIA DE BOLSONARO
Ninguém mais está querendo
sair na foto ao lado de Bolsonaro. O bonde da barbárie está descendo a ladeira
sem freio, e cada vez menos gente está disposta a continuar nessa roubada.
Quanto mais pessoas pularem fora, melhor. Embora seja tentador, não podemos nos
dar ao luxo de ficar apontando dedos. Que os desertores sejam bem-vindos. Mas
também não podemos passar pano. Nem rancor, nem flores.
A história
precisa ser contada com precisão para que nunca mais o país tope uma proposta
declaradamente antidemocrática e fascistoide. É fundamental que um país seja
transparente com sua própria história. A ditadura militar no Brasil, por
exemplo, foi mal contada, e os criminosos do regime não foram devidamente
julgados e condenados. Esse foi um dos motivos que nos levou a eleger um
defensor do legado dos anos de chumbo.
Doria, MBL
e partido Novo foram apoiadores entusiasmados do bolsonarismo no segundo turno
das eleições. Para tirar o PT do poder, o trio liberal calculou que valeria a
pena embarcar em um projeto extremista, liderado por um ex-militar que passou a
vida como um parasita na Câmara e que colocou toda a sua família para mamar nas
tetas do serviço público.
Eles
consideraram razoável apoiar um candidato que durante sua carreira assumiu ser
homofóbico, incentivou a população a sonegar impostos, exaltou a tortura e
chamou os direitos humanos de “esterco de vagabundo”. Não foi pouca coisa que
eles aceitaram em nome do antipetismo. O “jeito novo de fazer política” abraçou
o lado mais caquético e assombroso da velha política na primeira oportunidade.
Ninguém irá pular desse barco sem ter manchado a roupa de lama e de sangue.
A afinidade
ideológica entre eles não é pequena, é preciso dizer. São muitas as pautas que
esses três atores políticos compartilham com o bolsonarismo. Seja na área
política, econômica ou moral, há muito mais convergências do que divergências.
Portanto, é impossível agora tentar remover as digitais da tragédia instaurada.
Bastou o
chimpanzé fascistoide anunciar durante a campanha que Paulo Guedes seria seu
futuro ministro da economia que os liberais passaram a vê-lo com outros olhos.
Acreditaram que um homem respeitado pelo mercado resolveria todos os nossos
problemas, e o homem-primata, devidamente adestrado e comprometido com as
reformas, não seria empecilho.
Mas a
crença na mão invisível do mercado como saída para todos os problemas não
resistiu aos primeiros dias de governo. Bolsonaro se mostrou um desastre sob
qualquer ponto de vista. O arrependimento de antigos apoiadores é bem-vindo,
mas não beatifica ninguém. Eles sabiam que aquela mão invisível do mercado
portava uma metralhadora e aceitaram o rolê.
Doria tem
se afastado do bolsonarismo, preparando o terreno para 2022, quando
provavelmente se apresentará como uma alternativa moderada à direita. O
governador pode até sair do bolsonarismo, mas o bolsonarismo não sairá dele tão
fácil. Ele foi o candidato a governador mais entusiasmado com a popularidade da
candidatura Bolsonaro. Todos os sinais do apocalipse já estavam ali, mas o
tucano não fez qualquer objeção.
O
rompimento precoce com o ex-capitão não surpreende. Lealdade nunca foi uma
marca de Doria, que ganhou espaço na política na base das traições, chegando a
trair seu mentor Geraldo Alckmin. A impopularidade crescente do presidente
despertou o apurado senso de oportunismo do tucano que, com dissimulação –
essa, sim, sua grande marca –, disse que “nunca esteve alinhado com o governo
Bolsonaro”.
Ainda no
primeiro turno, quando o PSDB tinha seu candidato, Doria já se mostrava
simpático ao bolsonarismo. No segundo, o abraçou com força e passou a propagar
o voto Bolsodoria. A aliança não aconteceu apenas por uma estratégia eleitoral
em busca dos votos do capitão ou por ser a única alternativa ao PT. Ela se deu
por alinhamento ideológico e programático.
Além das
afinidades na área econômica e no campo moral, Doria tem o mesmo discurso
violento de Bolsonaro para a área de segurança pública, demonstrando igualmente
um profundo desprezo aos direitos humanos. O número de assassinatos cometidos
por policiais aumentou na gestão do tucano. A flexibilização do porte de armas
do governo federal também contou com seu apoio integral.
Doria
demonstrou muita indignação com o recente ataque que o presidente desferiu
contra o pai do presidente da OAB, morto pelo regime militar. Considerou
“inaceitável” e lembrou do seu pai deputado que foi cassado pela ditadura e
teve que viver no exílio. Depois de passar muito tempo apoiando sem ressalvas a
veneração do bolsonarismo à ditadura militar, Doria subitamente resolveu honrar
a memória do seu pai e defender a democracia. Faria o mesmo se a economia
estivesse bombando e a popularidade do presidente em alta?
A resposta
é óbvia. Essa repaginação da sua imagem é só o primeiro passo para a criação de
um novo produto para a próxima eleição: o direitista moderado anti-Lula que
rejeitou o bolsonarismo. Como diria o poeta Vanucci, 2022 é logo ali e,
portanto, é importante lembrar quem foram os arquitetos da tragédia
bolsonarista.
O MBL
também não quer ter mais nada a ver com isso daí. É mais um que alimentou o
bolsonarismo sem nenhum pudor e que agora decide se afastar. Mas, assim como
Doria, o distanciamento é apenas pragmático, porque ideologicamente continuam
bastante próximos. O MBL não quer ser lembrado como o grupo liberal que atuou
como linha auxiliar da extrema direita, mas como o grupo que só queria livrar o
Brasil do PT.
Mas o
histórico reacionário do MBL nos leva a crer que esse arrependimento seja puro
oportunismo. Não é preciso dizer que eles engoliriam com tranquilidade todos os
absurdos autoritários do governo se a economia estivesse bombando. Afinal de
contas, estamos falando da turma que se indignou com gente pelada em museu, que
foi pras ruas em favor do Escola sem Partido, que nutre um fetiche por Donald
Trump e cujo um dos seus líderes é um vereador católico que quer a internação
psiquiátrica compulsória de mulheres grávidas que desejam abortar. O MBL
pavimentou o caminho da extrema direita. A sua alma bolsominion é inegável.
Em
novembro de 2017, o líder do MBL e deputado estadual Mamãe Falei (DEM-SP)
deixou claro que as afinidades do grupo com Bolsonaro eram enormes:
“Concordamos muito com o Bolsonaro em diversas coisas: revogação do estatuto do
desarmamento, redução da maioridade penal… Concordamos em diversas pautas.
Inclusive quando ele falou mal da CLT, eu quase soltei fogos na minha casa.
Quando ele fala em criar leis antiterroristas que atinjam o MST, eu acho que é
um ato de extrema coragem. Eu acho uma palhaçada quando começam a chamá-lo de
racista e homofóbico”.
Renan
Santos, um dos fundadores do MBL, fez um mea culpa em entrevista recente à Folha. Admitiu que o grupo exagerou na retórica agressiva e que não deveria
ter apoiado Bolsonaro, “mas” – sempre tem o “mas” – “não havia o que fazer. Se
o PT chegasse ao poder, a gente teria guerra civil. A classe média e o
centro-sul não iriam aceitar o resultado”.
Ou seja,
ele está dizendo que só apoiou a extrema direita autoritária porque acreditou
que a classe média não respeitaria a vontade da maioria e iniciaria uma guerra
civil. Para evitar essa ruptura democrática, o MBL então decidiu apoiar um
extremista de direita que defende a tortura e renega a democracia.
Não faz o
menor sentido, mas nos esforcemos em ser compreensivos e pragmáticos. Que o MBL
seja bem-vindo à luz depois dessa longa jornada na escuridão, mas é preciso
deixar claro quem eles são e por que pularam do barco. A história mostra que o
liberal brasileiro não vê problema em flertar com o totalitarismo quando lhe
parece oportuno.
O Novo
também não quer mais ser associado ao chimpanzé presidencial. O presidente do
partido João Amoêdo disse ao Valor que o “Novo é muito diferente do Bolsonaro”. A desfaçatez dos
autoproclamados “novos políticos” é mesmo impressionante. Apesar da fachada
gourmet, o Novo sempre se mostrou bastante alinhado às pautas radicais do PSL.
Ou alguém considera que essa peça de campanha de Ricardo Salles incitando crime
“contra a esquerda” está distante do pensamento padrão bolsonarista?
Ricardo
Salles não se elegeu deputado, mas foi acomodado no seio bolsonarista com o
cargo de ministro do Meio Ambiente. Na entrevista, João Amoêdo lavou as mãos
diante da tenebrosa gestão do seu correligionário: “Ele tem um estilo de
atuação mais parecido com o do governo Bolsonaro do que talvez de um governo do
Novo”. De qualquer forma, o presidente do Novo acha que “do ponto de vista
técnico ele [Salles] tem mais acertado que errado”.
Apesar de
querer aparentar distância do governo, o Novo tem sido bastante fiel a ele nas
votações no congresso. Luiz Philippe de Orléans e Bragança, o deputado-príncipe
do PSL, falou sobre a sintonia entre os partidos: “Basicamente nós temos dois
partidos que apoiam integralmente o governo: o PSL e o partido Novo. Os dois
têm votado 90% das vezes em consonância com as propostas do governo.”
É
compreensível que Amoêdo agora queira se descolar do bolsonarismo, mas ninguém
se livra do DNA bolsominion assim tão fácil. Logo nos primeiros dias após a
posse, o governador mineiro Romeu Zema, do Novo, demonstrou que o PSL e seu
partido estavam alinhadíssimos: “O DNA [dos partidos] coincide 99,5%. Em
pouquíssima coisa talvez não estejamos alinhados”.
A
principal diferença, segundo ele, é que os bolsonaristas são “um tanto quanto
mais exaltados”, enquanto “somos comedidos”, explicou. Ou seja, diferem apenas
no tom do reacionarismo, o que me leva a crer que o Novo é basicamente um PSL
com focinheira e gravata borboleta.
Todos têm
o direito de mudar de opinião, é claro, mas toda inflexão desse tipo na
política requer uma justificativa clara, contextualizada e elaborada. Mudar ao
sabor dos ventos é oportunismo. Mesmo assim, é salutar esse crescente
isolamento do bolsonarismo. Agora, é preciso deixar claro que esse filho feio
tem pai. Os liberais precisam assumir a paternidade. Não basta sair à
francesa.
Os
co-autores deste projeto não podem agora simplesmente lamentar como se tivessem
apenas cumprido o papel de inocentes úteis. A história precisa ser bem contada
para não ser repetida. O país não pode comprar novamente a ideia de que um
extremista alucinado “tinha tudo pra dar certo”, como achou a revista IstoÉ.
Fonte: João
Filho - The Intercept Brasil
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