Informativo
BEBIANNO AINDA SEGUE MINISTRO; GOVERNO FARÁ ANÚNCIOS PARA CONTER CRISE
O Diário Oficial da União desta
segunda-feira (18) não traz a exoneração do ministro Gustavo Bebianno, da
Secretaria-Geral da Presidência. Desde sexta-feira, há especulações de que o
presidente Jair Bolsonaro já teria assinado a demissão de Bebianno – o que não
se confirmou. Enquanto isso, o governo planeja uma ofensiva com agenda de
anúncios para tentar abafar a crise do laranjal.
Segundo
a Folha de S.Paulo, o momento de
maior fragilidade política em 49 dias de governo Bolsonaro também tende a
provocar a consolidação do poder militar na gestão federal. O general da
reserva Floriano Peixoto Vieira Neto é cotado para o lugar de Bebianno. Se
confirmado, será o oitavo ministro egresso da área militar no governo, que tem
22 pastas – Onyx Lorenzoni (Casa Civil) seria o último civil com assento no
Palácio do Planalto.
O
embate entre Bebianno, Bolsonaro e Carlos, filho do presidente, que alavancou a
crise ao chamar o ministro de “mentiroso”, foi visto nos últimos dias com
extrema preocupação pela ala militar do governo, que busca agora se impor para
contornar o desgaste. Dentro do governo, há o temor de que Bebianno "saia
atirando", que a bancada governista fique fechada no Congresso em meio à
troca de acusações sobre as candidaturas laranjas do PSL e que as suspeitas do
esquema alcancem outros estados além de Pernambuco e Minas.
Bolsonaro
tentará atenuar esse desgaste ao apresentar ao Legislativo nesta semana dois
projetos que tratam de bandeiras importantes da gestão: o combate à corrupção e
o ajuste das contas públicas. Na terça-feira (19), o ministro Sergio Moro
(Justiça) levará ao Congresso a proposta da lei anticrime, que está repleta de
artigos inconstitucionais.
Já na
quarta (20), será a vez de a equipe econômica de Paulo Guedes entregar a
proposta de reforma da Previdência. Bolsonaro fará um pronunciamento em rede
nacional, na TV e no rádio para falar especialmente das mudanças nas regras da
aposentadoria.
Segundo
assessores, o presidente sabe que terá pela frente dificuldades com seu
partido. A crise com Bebianno, que foi o braço-direito de Bolsonaro e
presidente do PSL durante a campanha, deixa arestas a serem aparadas com o
Legislativo. Aliados viram no processo de fritura pública do ministro
deslealdade de Bolsonaro.
É
previsto para esta semana ainda o anúncio dos líderes do governo no Senado e no
Congresso, o que permitirá que o Executivo tenha representantes diretos nas
negociações das pautas de votações das duas casas legislativas. Bolsonaro vai
receber no Alvorada lideranças do Legislativo para discutir as propostas do
governo. Na manhã de quarta será a vez de o PSL tomar um café da manhã com o
presidente em uma conversa que busca realinhar o partido.
A
tramitação da reforma da Previdência é uma das maiores preocupações hoje dos
militares, que não veem no chefe da Casa Civil estofo para orientar o trabalho
no Congresso. Esse grupo quer que Floriano Peixoto, hoje secretário-executivo
de Bebianno, seja nomeado de forma definitiva.
Durante
o fim de semana, ao confirmar que aguardava a oficialização de sua saída no
Diário Oficial, Bebianno deu declarações demonstrando mágoa com o presidente.
"A tendência é essa, exoneração", disse o ministro no sábado. "É
um direito que ele tem exonerar quem ele quiser, é um governo dele",
afirmou a jornalistas, reforçando que "agora é hora de esfriar a
cabeça".
Bebianno
é um dos alvos das denúncias de uso de candidaturas laranjas pelo PSL para
desvio de dinheiro público do fundo eleitoral. No Diário Oficial desta
segunda-feira, além de não haver a publicação do afastamento de Bebianno,
aparecem atos assinados pelo próprio ministro. Um deles determina a competência
para atuação na Secretaria de Administração da Presidência da República.
Fonte: Porta Vermelho,
com agências
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