Informativo
HAROLDO LIMA: LIÇÕES DA "GREVE DOS CAMINHONEIROS"
As cinco medidas anunciadas
ontem pelo governo ilegítimo de Michel Temer, em resposta às reivindicações da
greve, podem levar à sua suspensão, mas não resolvem o problema existente,
protelam-no.
Por Haroldo Lima*
A desastrada política de
preços atuais de combustíveis da Petrobras não foi revogada, será mitigada. A
Petrobras continuará sendo vista como uma empresa que tem compromissos
impreteríveis com seus acionistas privados, estrangeiros em sua maioria, a quem
tem de pagar dividendos, não com o Brasil, a quem teria que garantir
abastecimento. Os preços dos combustíveis, que estavam sendo reajustados
diariamente, passarão a sê-los a cada 30 dias, depois do congelamento inicial
de 60 dias. Ademais, Pedro Parente, cuja política de preços que impôs à
Petrobras provocou um caos no país e fez a estatal perder R$74,3 bilhões de
valor de mercado, não foi afastado, como seria natural, mas continua dirigindo
a Petrobras segundo a sua concepção do que deve ser essa empresa. E é essa sua
concepção, que não é só dele, e que predomina no momento, que está na raiz dos
problemas aflorados. Senão vejamos.
A variação dos preços
internacionais do petróleo, durante o governo Dilma, era repassada ao
consumidor brasileiro de três em três meses, garantindo-se certa estabilidade
nos preços e nos negócios. Era também uma forma de controlar a inflação.
Esse mecanismo, em certas
circunstâncias, causava prejuízo à Petrobras, que comprava óleo e derivados no
exterior a um preço determinado e vendia os derivados no mercado interno por um
valor menor. Isto refletia um problema de fundo: o consumidor brasileiro não
poderia ser submetido a preços extorsivos de combustíveis, tampouco a Petrobras
deveria arcar, sozinha, por tempo prolongado, sem compensações, com os custos
de preços contidos.
Essa questão demandava uma
solução complexa que envolvesse o comportamento de setores do ciclo do
combustível, principalmente de dois deles: o da produção, que a partir do
pré-sal assumiu uma escala crescente que reduziu custos, e o da refinação,
gravemente debilitado pela ausência de refinarias novas no país, onde a última
inaugurada foi há 38 anos, e pela ociosidade das existentes.
Sobretudo depois do pré-sal,
era evidente a necessidade de construção de novas refinarias e de ampliar o uso
das atuais. Isto porque, do ponto de vista nacional, o óleo abundante que
passamos a ter deveria ser refinado para abastecer o mercado brasileiro, o
quarto do mundo, e para exportar, na medida das possibilidades.
Esse assunto começara a ser
tratado na época do governo Lula, quando projetos de construção de refinarias
passaram a ser examinados e capitais privados estavam sendo atraídos. Tudo isto
tinha certa urgência, posto que, em escala mundial, a energia de origem fóssil
não é hoje a mais incentivada, as que mais crescem são as outras.
Eis que o governo ilegítimo de
Temer, com Pedro Parente na presidência da Petrobras, suspende tudo o que
estava em curso ou se planejava, e o referido problema, assaz complexo, foi
“resolvido” de forma simples, simplória. Pedro Parente anunciou, em julho de
2017, que a Petrobras resolvera adotar “nova política de preços”, repassando ao
consumidor brasileiro todas as oscilações internacionais dos preços do petróleo
e as variações do dólar. Esses repasses seriam feitos com rapidez, como de fato
aconteceu, pois passaram a ser feitos “diariamente”.
A novidade foi anunciada como
algo que traria benefício ao consumidor, pois seriam repassados aumentos mas
também recuos e, quem sabe, os recuos poderiam ser maiores...Pedro Parente,
depois de se reunir com Michel Temer, disse que a nova política "pode
resultar na queda do preço do combustível no Brasil” (G1, 27/09/2016).
Essa “nova” política nada tem
de nova, é aplicada em alguns países e é chamada de Paridade de Preços
Internacionais, PPI. Contudo, os países que a adotam têm características
distintas das brasileiras, tem estoques reguladores, como os Estados Unidos,
moedas mais ou menos estáveis relativamente ao dólar, como os Estados Unidos,
onde a moeda é o próprio dólar. Aqui, era de se prever que, coincidindo
variações maiores do preço do petróleo com alterações substanciais do câmbio, o
resultado elevaria desproporcionalmente os preços dos combustíveis. E não deu
outra.
De 3 de julho de 2017 para cá,
com reajustes diários em certos períodos, a Petrobras elevou o preço do óleo
diesel em suas refinarias 121 vezes, totalizando uma alta de 56,5%. (JB
22/05/2018).
Ao lado do diesel, a gasolina
e o gás também estouraram, sendo que, em 2017, o aumento do gás fez com que
mais de 1,2 milhão de domicílios passassem a recorrer à lenha e ao carvão.
(PNAD, abril de 2018).
Agora bem. Em 2016, Pedro
Parente assumiu a presidência da Petrobras afirmando que “a política de preços
passaria a ser guiada pelos interesses da empresa, sem influência do governo”.
(G1 24/05/2018). Como o governo supostamente representa os interesses do Estado
brasileiro, o anúncio do Parente significava que os interesses do Estado
brasileiro não iriam influenciar na companhia, que levaria em conta os outros
interesses, os dos acionistas privados. Uma rápida apreciação sobre a situação
dos acionistas da Petrobras ilumina mais essa questão.
Em 2010, a participação
estatal no capital social da empresa era de 39,8% (32,1% da União e 7,7% do
BNDESPar). O restante 60,2% era de capital privado.
Desse capital privado, 38%
estava em mãos estrangeiras (pessoas físicas, instituições financeiras e
especuladores), dos quais 29,7% eram de propriedade americana (os dois tipos de
ADR, American Depositary Receipts, negociados na Bolsa de Valores de Nova York,
a partir do governo de FHC).
Resumindo, perto de 40% dos
lucros das operações resultantes da produção do pré-sal e dos outros campos da
Petrobras são remetidos ao exterior.
A União tem o controle
acionário da companhia porque detém 55,6% das ações ordinárias, que tem direito
a voto. Portanto, a União controla a empresa com uma folga de apenas 5,6% do
total das ações ordinárias.
Em 2010 houve uma variação
nessa situação: durante o governo Lula, na chamada “cessão onerosa”, a
Petrobras “pagou” em ações, à União, os 5 bilhões de barris de petróleo a ela
cedidos, localizados pela ANP no pré-sal, situados em Franco. Por isso a União
passou a ter 42% no capital social da Petrobras (eram 32,1%). Somando com os
7,7% do BNDESPar, significa que no capital social da Petrobrás, hoje, 49,7% são
de capital estatal.
Quando, no governo ilegítimo
de Temer, a Petrobras, sob o comando de Pedro Parente, decide aplicar uma
política de preços, “sem ingerência do Governo”, quer dizer que só levará em
conta os interesses dos seus acionistas privados, em sua maioria americanos,
pouco se importando com os interesses da Nação brasileira. A “nova política de
preços” resulta dessa visão.
Vê-se que temos muito caminho
ainda a percorrer.
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