Informativo
Golpe avança: Lula é condenado; movimentos sociais avisam que continuarão nas ruas
A conclusão do julgamento do
ex-presidente Lula nesta quarta (24) confirma a tese de que não há
imparcialidade na Justiça brasileira. A condenação de Lula foi mantida apesar
de não ter sido apresentada nenhuma prova que consolidasse a sua culpa nas
acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.
Apenas evidências sustentam o
arsenal de subjetividades defendido pelos desembargadores. Com placar de 3 a 0,
a defesa de Lula pode recorrer aos embargos de declaração, pedindo
esclarecimentos sobre pontos da sentença. Poderá ainda recorrer ao Superior
Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Enquanto tramitam estes
recursos, ele poderá registrar sua candidatura à presidência. Só será impedido
de concorrer se todos os recursos forem negados.
A Frente Brasil Popular, que
reúne dezenas de entidades sindicais e movimentos populares, divulgou nota
reafirmando compromisso com a luta pelo direito de Lula a ser candidato à
presidência da República:
"Continuaremos nas ruas
lutando por eleições democráticas e em defesa dos direitos do povo brasileiro
Durante toda essa semana, em
todo o Brasil e em várias partes do mundo, fomos centenas de milhares de
pessoas mobilizadas em panfletagens, aulas públicas, vigílias, marchas, atos,
paralisações de estradas e ocupações buscando dialogar e alertar a sociedade
para a farsa, travestida de julgamento, que se armava em Porto Alegre e sobre o
seu significado: a continuidade do golpe iniciado em 2016.
Hoje, o país acordou se
perguntando sobre as provas do processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. E, mesmo sem elas, os juízes do Tribunal Regional Federal da 4ª
Região decidiram seguir divorciados da justiça e da verdade, mantendo uma
condenação injusta.
O resultado não surpreendeu
ninguém. Setores do judiciário, que deveriam ter a defesa da justiça como
bastião, apoiaram o ataque ao Estado Democrático de Direito e agora, num
julgamento político, protagonizam mais um ato desse golpe na democracia
brasileira.
Em tempo recorde, os juízes
leram todos os documentos, depoimentos das 73 testemunhas e não apresentaram
nenhuma prova. Nada. O principal argumento, sabemos bem, para condenar Lula é
que ele lidera todas as pesquisas eleitorais para a próxima eleição. Querem
derrotar Lula no tapetão.
Retirar do povo brasileiro o
direito de escolher seu candidato a presidente em eleições livres e impedir sua
participação na definição dos rumos do país são condições para impor o programa
de retirada de direitos dos trabalhadores, destruição do Estado social, entrega
dos nossos recursos naturais e submissão ao imperialismo dos Estados Unidos.
A mídia burguesa, em especial
a Rede Globo, atua como instrumento de luta ideológica para manipular a
sociedade e constranger aqueles que não se alinham aos seus interesses
políticos.
Embora não haja provas contra
Lula, sobram “matérias” de jornais e “comentários” em programas de TV para
apresentar provas, que não passam de mentiras das empresas de
comunicações, que sustentam o programa de destruição nacional que assola o
País.
Não é apenas o direito de Lula
ser candidato que está em jogo. É o rumo da nossa justiça e democracia. Vivemos
sob um Estado de exceção no qual um governante ilegítimo, alçado ao cargo por
um parlamento golpista, se soma a um judiciário que faz política e não faz
justiça.
As forças que passaram a
governar o Brasil após o golpe que afastou a primeira mulher eleita presidente,
Dilma Rousseff, continuam excluindo o povo brasileiro das decisões sobre os
rumos do país. Têm medo da urna, do voto. Eles temem a vontade popular e por
isso tentam impedir Lula de ser candidato.
Setores que sugam a Nação e em
um ano, tiram recursos da educação, ciência e tecnologia, saúde e serviço
social. Atacaram a Constituição Federal de 1988, a CLT com a reforma
trabalhista, tiram direitos todos os dias. O próximo passo é o ataque à
aposentadoria.
Nossa luta não começou nem se
encerra hoje. A luta pela democracia continuará nos tribunais, nas ruas e nas
redes, assim como a luta em defesa da previdência pública e do nosso direito à
aposentadoria que está ameaçado de destruição por uma reforma em discussão no
Congresso. A Frente Brasil Popular se soma às centrais sindicais no grito de
que se botar para votar o Brasil vai parar!
Mas nosso desafio é ainda
maior é o de construir as saídas para a crise política e econômica que assola
nosso País que atendam o interesse da maioria do nosso povo. Por isso, a Frente
Brasil Popular conclama todos e todas que querem tornar o Brasil uma Nação
forte, desenvolvida, independente com emprego e justiça social, ao engajamento
na construção do Congresso do Povo Brasileiro, para debater o futuro do país e
organizar nossas lutas.
Continuaremos denunciando que
eleição sem Lula é fraude, é o aprofundamento do golpe. Continuaremos
denunciando e combatendo os ataques aos direitos conquistados pelo povo e ao
patrimônio da nação. Só a unidade e a mobilização popular podem dar fim a essa
crise e plantar as sementes de um futuro de prosperidade e vida digna para o
povo brasileiro.
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