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Foto: Ricardo Stuckert/PR Foto: Ricardo Stuckert/PR
03/04/2025

METADE DOS BRASILEIROS SEGUE SEM CONHECER AS VITRINES DO GOVERNO LULA

Instados a avaliarem o noticiário geral sobre o governo, 47% dizem que as últimas notícias são “mais negativas” e somente 23% afirmam que são “mais positivas”.

Por André Cintra

Comunicar-se com o povo continua a ser um desafio titânico para a terceira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Planalto. Passados dois meses e meio da posse do publicitário Sidônio Palmeira como ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, metade dos brasileiros segue sem conhecer os principais programas do governo.

É o que aponta a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nessa quarta-feira (2). O levantamento ouviu 2.004 eleitores de 27 a 31 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Além de diagnosticar uma alta na desaprovação ao governo, a pesquisa mostrou que é pequena a visibilidade dos projetos mais ousados do mandato, iniciado em janeiro de 2023. É o caso de vitrines como o lançamento do Pé de Meia, a ampliação do programa Farmácia Popular e a isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil.

BOLSA FAMÍLIA, AINDA

Quando questionados qual dos programas federais têm “mais tem impacto positivo na sua vida hoje”, 20% dos entrevistados citam o bom e velho Bolsa Família. Embora seja associado diretamente a Lula, o mais exitoso programa de transferência de renda foi instituído por medida provisória em 2003 e transformado em lei no ano seguinte. Mais de 20 anos depois de sua criação, a iniciativa beneficia mais de 20,56 milhões de famílias, com pagamento médio mensal de R$ 671,81.

Porém, desde o relançamento do Bolsa Família, em março de 2023, não há reajuste no valor do benefício. O congelamento se mantém mesmo após uma crise de carestia no Brasil. Em 2024, a inflação dos alimentos foi de 7,69%, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), enquanto a cesta básica encareceu 14,22%, segundo a Abras (Associação Brasileira de Supermercados).

Entre os programas associados a Lula e lançados no mandato atual, o mais citado como relevante é a mudança na tabela do imposto de renda (10%). Na sequência, aparecem o Farmácia Popular ampliado (9%), o Pé de Meia (7%), as novas regras no saque de aniversário do FGTS (4%) e o programa Desenrola (3%). Para 33%, no entanto, nenhum dos programas federais lhes traz impacto direto.

A população tampouco sabe o que o governo tem feito para enfrentar os gargalos da atualidade. De acordo com a pesquisa, 56% dos brasileiros não sabem que o governo zerou impostos de importação de 11 alimentos, a fim de reduzir seus preços para o chamado “consumidor final”.

MENOS IMPOSTO

Com relação à proposta do governo para reformular o imposto de renda, isentando total ou parcialmente os mais pobres, a taxa de desconhecimento assusta. Em 27 de novembro passado, num “pronunciamento à Nação” do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda se tornou público pela primeira vez. A proposta foi repisada pelo próprio Lula em eventos públicos e entrevistas à imprensa.

Quem ganha até R$ 5 mil se tornará isento, e quem recebe até R$ 7 mil terá descontos. Segundo o governo, “90% dos brasileiros que pagam Imposto de Renda (mais de 90 milhões de pessoas) estarão na faixa da isenção total ou parcial, e 65% dos que declaram do IRPF (26 milhões de pessoas) serão totalmente isentos”.

Sim, há poucas ações governamentais mais ousadas em termos de justiça tributária. Mesmo assim, o índice de brasileiros que ouviram falar da medida passou de 43% em dezembro para apenas 53% em março – um avanço modesto. Ainda hoje, há 46% de entrevistados que, estimulados a opinarem sobre esse progresso, sequer sabem do que se trata.

Pior: 51% afirmam que a melhora para suas próprias finanças pessoais será “pequena”. Mesmo entre os que serão totalmente isentos de imposto de renda, 44% minimizam uma conquista que, nas palavras de Haddad, equivale a um “14º salário” anual.

RUMO CORRETO

Não é por acaso que, instados a avaliarem o noticiário geral sobre o governo Lula, 47% dizem que as últimas notícias são “mais negativas” e somente 23% afirmam que são “mais positivas”. Como regra, as boas notícias não têm chegado a pelo menos metade da população. Na visão de 44% dos brasileiros, mesmo com a troca de ministros na Secom, a comunicação do governo “está igual”. Para 21%, piorou. Precisamente 50% indicam que, com base nas “aparições de Lula” em 2025, a percepção sobre o presidente “tem piorado”.

Em mais de dez anos no Planalto, Lula jamais esteve às voltas com índices tão baixos de popularidade, a despeito das tais “vitrines” e dos bons indicadores econômicos. A pesquisa Genial/Quaest sugere que o foco do governo pode não ser tão influente na opinião pública. Conforme o levantamento, as maiores preocupações dos brasileiros hoje são a violência/segurança (29%) e a questão social (23%), um e outro à frente da economia (19%).

Até a eleição presidencial de 2026 – teste maior para este governo –, há tempo e margem para a recuperação de seus índices de apoio. Mas está claro que é preciso divulgar melhor as vitrines da gestão. O governo Lula 3 precisa efetivamente ousar tanto nas ações quanto na comunicação.

Nesta quinta-feira (3), um evento no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, batizado de “O Brasil dando a Volta por Cima”, se propõe a mostrar as “entregas do governo federal nos dois primeiros anos de mandato”. O rumo é correto, mas não pode ser uma força-tarefa pontual. A sorte está lançada para o presidente Lula.

Fonte: Portal Vermelho

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