Informativo
Movimentos: Reagir nas ruas contra descrença gerada por Temer
Nesta
quinta-feira (31), faz um ano que o presidente Michel Temer foi empossado
iniciando um governo de ruptura com o sistema de proteção social instituído
pela Constituição Cidadão de 1988. Representantes de movimentos sindical e
social preparam ofensiva para se contrapor, entre outras medidas, à legislação
que congelou por 20 anos recursos para saúde e educação e também ações pela
revogação da reforma trabalhista, que deve entrar em vigor em novembro.
Por Railídia Carvalho e
Verônica Lugarini
Ivânia Pereira, recém-eleita vice-presidenta da Central de
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirmou que um ano de Michel
Temer na presidência trouxe descrença ao povo brasileiro. “O golpe significa
uma ruptura de direitos sem precedentes”, declarou ao Portal Vermelho. “As
pessoas estão aflitas porque a cada dia essas conquistas estão escapando. Hoje
são 500 mil bolsas-família a menos”, exemplificou a dirigente.
Mariana Venturini, vice-presidenta da União Brasileira de
Mulheres (UBM) afirmou que o golpe é misógino e machista. “Quem é o principal
público do bolsa-família? São as mulheres negras. O principal público atendido
pelo Minha Casa, Minha Vida? As mulheres. Esse governo está fuzilando a
possibilidade de igualdade social e autonomia das mulheres brasileiras”.
Na opinião de Ivânia, o retrocesso tem feito o Brasil
retroceder ao cenário dos anos 80 e 90. “Sem expectativa de futuro, altas taxas
de inflação, instabilidade politica e econômica era o cenário, bem diferente do
que se viu quando Lula assumiu e mudou o perfil, por exemplo, dos trabalhadores
do campo com políticas para a agricultura familiar que impactaram no
abastecimento alimentar do pais e melhorou a qualidade de vida desse
trabalhador”.
Quando se fala dos direitos sexuais e reprodutivos das
mulheres pode-se dizer que o atual governo pode promover um retrocesso para
antes dos anos 40, denunciou Mariana. “É grave o que está em risco. A bancada
evangélica, que apoiou o golpe, agora cobra a fatura e quer constitucionalizar
o direito do nascituro, ou seja, coloca em risco a conquista do aborto legal”.
Pela atual legislação, a mulher que sofra violência sexual e
engravide pode, legalmente, solicitar a interrupção da gestação. Com a proposta
do Estatuto do Nascituro, projeto da bancada evangélica, o aborto em caso de
estupro, possibilidade existente desde 1940, passa a ser ilegal, por exemplo.
GOVERNO
MISÓGINO E ANTI-TRABALHADOR
Mariana citou ainda o projeto Escola Sem Partido, que impede
o debate de gênero nas escolas, o aumento da violência contra as mulheres e a
degradação das políticas de combate. “Olhando sob qualquer prima o cenário é
medonho para as mulheres. Se antes havia a possibilidade de mais autonomia,
mais mulheres no poder agora tudo leva a estrangular a presença da representação
das mulheres”, alertou.
“O governo e sua equipe está tão afeita a agredir o
trabalhador e a população que não percebe que fazendo isso compromete a
economia do país ao deprimir o salário do trabalhador. A luta da CTB vai
intensificar as mobilizações junto aos movimentos de mulheres e juventude com
projeto de iniciativa popular para revogar a reforma trabalhista”, ressaltou
Ivânia.
De acordo com Mariana o movimento de mulheres está articulada
com as ações da Frente Brasil Popular contra o governo Temer. “É momento de
fazer a resistência pontual através dos fóruns setoriais e também de nos
somarmos à resistência democrática em escala maior no Brasil e construindo um
projeto alternativo para restabelecer um futuro para as próximas gerações”.
RETROCESSO
DE CEM ANOS EM APENAS UM ANO
Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores
Sem Teto (MTST), também enfatizou que o ano foi um período de profundos
retrocessos, em que um governo ilegítimo fez o Brasil andar cem anos para trás
em apenas um ano.
“Em pouco tempo nós tivemos profundos retrocessos com a
revogação da CLT, a ameaça continua sobre a aposentaria dos trabalhadores e
principalmente, com o absurdo do congelamento dos gastos sociais por 20 anos,
formando um conjunto de medidas antipopulares que deixaram claro que esse
impeachment era um golpe contra os trabalhadores e os brasileiros”, disse
Boulos em entrevista ao Portal Vermelho.
Ele também destacou que o golpe não foi apenas
antidemocrático ao retirar uma presidenta eleita e colocar um presidente não
eleito no cargo, mas também teve caráter ilegítimo ao concretizar uma agenda
que não foi eleita pelo povo brasileiro.
“O governo de Temer também vendeu a ideia que o impeachment
acabaria com a corrupção e melhoraria o país, o que foi uma mentira porque hoje
estamos atolados em escândalos de corrupção e afundados em uma recessão sem
saída”, denunciou o coordenador do MTST.
Sobre a mobilização da população contra as medidas impostas
por um governo não eleito, Boulos apontou que houve intensas manifestações com
um enfrentamento que não se via há décadas.
ara ele, é necessário continuar a luta e construir um projeto
popular para a revogação dos retrocessos instaurados pelo golpe e que as
medidas, tomadas por um Congresso desmoralizado, passem pelo crivo popular.
RECONQUISTA
DE DIREITOS
Já sob perspectivas de direitos humanos e do movimento negro,
Douglas Belchior que constrói a Frente Alternativa Preta e é fundador da
Uneafro, afirmou que o primeiro golpe do governo Temer atingiu exatamente os setores
ligados aos direitos humanos já com a sua primeira ação ao tomar o poder.
“Após o impeachment, a primeira medida do governo golpista
foi extinguir o Ministério de Direitos Humanos, que abarcava exatamente a
questão das mulheres e dos negros, ou seja, atacaram o nosso ponto forte, as
nossas conquistas dos últimos anos de um governo progressista que fortaleceu a
luta das mulheres e dos negros, construindo uma massa crítica em um país de
herança escravocrata”, declarou Belchior.
Belchior ainda frisou que a reação contra os desmontes de
Temer vêm destes setores que avançaram e adquiriram protagonismo político no
país.
“Estamos em um processo de reconquista de direitos que não
será curto e precisamos reorganizar as forças progressistas, com mobilização para
a luta contra o governo e isso passa pela experiência de luta de grupos
autônomos, de grupos periféricos, de movimentos negros, de mulheres e
coletivos”, concluiu o fundador da Uneafro.
Do Portal Vermelho
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